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Cartas graduadas e raras como contabilizar estoque: item a item pela NBC TG 16

A carta graduada ou rara é um item de estoque que não é intercambiável, e a NBC TG 16 (R2) manda atribuir o custo pela identificação específica (item 23), medindo o estoque pelo menor valor entre custo e valor realizável líquido (item 9), item a item (item 29). O custo inclui o preço de compra e os gastos para trazer a carta à condição atual (itens 10 e 11), e despesas de venda ficam fora (item 16).

Cartas graduadas e raras como contabilizar estoque: a carta é estoque da loja, e a norma contábil manda acompanhá-la item a item, com custo identificado individualmente e valor no balanço igual ao menor entre o custo e o valor que a loja espera realizar na venda.

A loja de TCG convive com dois estoques que não se parecem: o do booster e da carta comum, vendidos em volume, e o da carta que vale mais que o aluguel do mês. Contabilizar os dois do mesmo jeito é o erro mais comum, e esta página mostra como a NBC TG 16 (R2) separa um do outro.

A carta rara e a graduada entram no estoque da loja?

Entram, quando foram compradas para revenda. A NBC TG 16 (R2), item 8, define estoques como bens adquiridos e destinados à venda, incluindo mercadorias compradas por varejista para revenda. Uma carta que a loja comprou para vender na vitrine é mercadoria, qualquer que seja o seu preço.

Já a carta que o sócio guarda para si, fora da operação, não é estoque da empresa. A separação entre acervo pessoal e mercadoria precisa estar clara no registro, e o que o sócio leva ao capital da empresa tem caminho próprio, descrito em Estoque inicial de loja de TCG: como registrar o acervo do sócio, as compras e as cartas sem nota.

A venda da carta, quando sai, é receita de revenda de mercadoria, e a receita bruta é o produto da venda de bens, conforme o art. 3º, §1º, da LC 123/2006.

Cartas graduadas e raras como contabilizar estoque: como se define o custo?

O item 23 da NBC TG 16 (R2) diz que o custo dos estoques de itens que não são normalmente intercambiáveis deve ser atribuído pelo uso da identificação específica dos seus custos individuais. O item 24 explica que identificação específica é atribuir custos específicos a itens identificados do estoque.

Por outro lado, o mesmo item 24 afirma que, quando há grandes quantidades de itens geralmente intercambiáveis, a identificação específica não é apropriada, e deve-se usar um critério de valoração. É o caso do booster, da carta comum e do sleeve.

Na prática, a loja tem dois critérios no mesmo estoque:

  • identificação específica para a carta graduada e a carta rara, com custo próprio por item;
  • um critério de valoração do conjunto para o produto vendido em volume.

A escolha do critério para o produto em volume é uma decisão do contador, com o dono, e precisa ser mantida de um período para o outro.

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O custo da graduação entra no custo da carta?

O item 10 da norma diz que o valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. O item 11 detalha o custo de aquisição: preço de compra, tributos não recuperáveis, transporte, seguro, manuseio e outros custos diretamente atribuíveis.

A taxa de uma empresa de graduação, o frete e o seguro para enviar a carta e trazê-la de volta são gastos incorridos para colocar a carta na condição em que ela será vendida. Pela leitura dos itens 10 e 11, eles tendem a compor o custo daquela carta específica, e não a despesa do mês.

O item 16 lista o que não entra no custo: gastos com armazenamento, despesas administrativas que não contribuem para trazer o estoque ao local e condição atuais, e despesas de comercialização, incluindo a venda e a entrega ao cliente. Comissão de marketplace e frete de entrega ao comprador ficam, portanto, fora do custo da carta.

A aplicação ao seu caso, com o tipo de serviço de graduação que você usa, deve ser confirmada com o contador, porque a norma fala em custos diretamente atribuíveis e a prova do vínculo com cada carta é o que sustenta o registro.

O que fazer quando a carta perde valor de mercado?

O item 9 da norma estabelece que os estoques devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. O valor realizável líquido é o que a empresa espera obter com a venda, descontados os custos estimados para realizá-la.

O item 29 acrescenta que os estoques geralmente são reduzidos ao valor realizável líquido item a item. Para a carta rara, isso significa olhar o preço de mercado da carta e comparar com o custo registrado, periodicamente, e reconhecer a redução quando o preço esperado de venda cair abaixo do custo.

Se o preço da carta se recupera, o item 33 permite reverter a redução anterior, limitada ao valor da redução original, de modo que o estoque volte, no máximo, ao custo. A valorização de mercado acima do custo não aumenta o estoque no balanço, e só aparece como resultado quando a carta é vendida.

Esse ponto desfaz uma ideia comum: a carta que subiu de preço não "vale mais" na contabilidade da loja enquanto não for vendida. O valor de mercado é informação gerencial, e o custo é o número contábil.

Como montar o controle por item?

A rotina de controle cabe numa planilha que a loja mantém desde o primeiro dia. Cada carta de alto valor deve ter uma ficha com os dados abaixo:

  • identificação: jogo, edição, nome, número, idioma e, se for o caso, o número de série do certificado;
  • origem: distribuidora, colecionador, importação ou acervo do sócio;
  • documento da entrada: número da nota, recibo ou nota de entrada emitida pela loja;
  • custo de aquisição e custos adicionais, como graduação, frete e seguro;
  • preço de referência de mercado e a data da pesquisa;
  • local de guarda, e a data e o documento de saída, quando vendida.

Para a carta comprada de pessoa física, a documentação de entrada é o ponto frágil, e a nota emitida pela loja, que a SEFAZ-SP orienta para bens usados, está em Comprar cartas de colecionadores sem nota fiscal: como a loja documenta a entrada.

Para a carta importada, o custo total de importação segue a regra de Como contabilizar estoque importado: o que entra no custo e como controlar por processo, e o caminho da importação está em Importar cartas de Magic e Pokémon para revender: remessa, Radar e o que a lei diz sobre fracionar.

Como a contagem e o fechamento entram nessa rotina?

Estoque de valor alto pede conferência física regular. Uma contagem periódica da vitrine e do cofre, comparada com a ficha de cada carta, mostra diferenças antes que elas virem problema de balanço.

O fechamento mensal é o momento de lançar a variação do estoque e revisar os ajustes de valor, e o que ele inclui está em Fechamento contábil mensal: o que é, as etapas e o que a empresa faz em cada uma. O estoque aparece no balanço da empresa, como explica Balanço patrimonial: o que é, o que cada grupo mostra e quem assina.

Depende do caso, e no Diagnóstico WJR a gente diz como organizar o controle do estoque de alto valor da sua loja, conforme o tamanho do acervo e a frequência de compra e venda.

Como a WJR acompanha a contabilidade da loja de colecionáveis?

A WJR é um escritório de contabilidade fundado em 1995, com mais de 30 anos de experiência, sede na Mooca, em São Paulo, e atendimento presencial e online. Comércio está entre os clientes típicos da casa, e o time especializado acompanha cada empresa dentro do grupo de WhatsApp.

O primeiro passo é o Diagnóstico WJR, gratuito e sem compromisso, com resposta em algumas horas. Os demonstrativos da empresa estão em Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa, e a visão do nicho está em Contabilidade para card game e colecionáveis: o que a loja precisa organizar.

Perguntas frequentes

Carta graduada é estoque da loja?+

Sim, quando foi comprada para revenda. A NBC TG 16 (R2), item 8, inclui nos estoques as mercadorias compradas por varejista para revenda.

O custo de cada carta rara deve ser controlado separadamente?+

Sim. O item 23 da NBC TG 16 (R2) manda atribuir o custo de itens não intercambiáveis pela identificação específica dos custos individuais.

A taxa de graduação entra no custo da carta?+

Pela leitura dos itens 10 e 11 da norma, gastos incorridos para trazer a carta à condição atual e diretamente atribuíveis tendem a compor o custo. A aplicação ao seu caso deve ser confirmada com o contador.

A carta que subiu de preço aumenta o estoque no balanço?+

Não. A norma mede o estoque pelo menor valor entre custo e valor realizável líquido, e a valorização acima do custo só aparece como resultado na venda.

A comissão do marketplace entra no custo da carta?+

Não. O item 16 da norma exclui do custo as despesas de comercialização, incluindo a venda e a entrega ao cliente.

Leia também

Fontes: CFC, NBC TG 16 (R2) Estoques, itens 8 a 11, 16, 23, 24, 29 e 33 https://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG16(R2).pdf, SEFAZ-SP, Resposta à Consulta Tributária 4386/2014 https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/RC4386_2014.aspx, Planalto, Lei Complementar 123/2006, art. 3º, §1º https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm

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