O que é CPV? É o custo dos produtos vendidos: quanto a fábrica gastou para produzir a parte do estoque que saiu em venda no período. Ele sai da receita líquida na DRE e deixa o lucro bruto.
Quem revende o que compra pronto usa o CMV, explicado em O que é CMV e como calcular o custo das mercadorias vendidas. Quem transforma matéria-prima em produto usa o CPV, porque o custo inclui a produção. Outras respostas rápidas ficam em Perguntas.
O que é CPV e o que entra no custo de produção?
O RIR lista o que o custo de produção compreende, obrigatoriamente (art. 302):
- o custo de aquisição de matérias-primas e de outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção;
- o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção;
- os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção;
- os encargos de amortização diretamente ligados à produção;
- os encargos de exaustão dos recursos naturais usados na produção.
Na linguagem do dia a dia, são matéria-prima, mão de obra direta e custos gerais de fabricação, termos que o próprio RIR usa ao descrever o sistema de custos (art. 306, § 2º, I). O aluguel da fábrica, a energia do galpão e a depreciação das máquinas entram no custo. A conta do escritório, o salário da área comercial e a comissão de vendas ficam fora: são despesas.
Quebras e perdas entram no CPV?
Entram, nos limites da lei. O RIR integra ao custo as quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e no manuseio. Também integram as perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou riscos não cobertos por seguro, desde que comprovadas por laudo ou certificado de autoridade competente, como a sanitária ou a de segurança (art. 303).
Perda sem comprovação é o ponto fraco de muita indústria pequena. Guardar o laudo no dia em que a mercadoria é descartada evita discussão depois.
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Como calcular o CPV?
A estrutura é a mesma do CMV, aplicada a produtos acabados:
CPV = estoque inicial de produtos acabados + custo da produção do período − estoque final de produtos acabados
E o custo da produção do período soma a matéria-prima consumida, a mão de obra direta e os custos gerais de fabricação, ajustados pela variação dos produtos em elaboração.
Exemplo hipotético de um mês. Estoque inicial de produtos acabados: R$ 50.000,00. Custo da produção do mês: R$ 120.000,00, sendo R$ 70.000,00 de matéria-prima, R$ 35.000,00 de mão de obra e R$ 15.000,00 de custos gerais. Estoque final: R$ 40.000,00. O CPV é de 50.000 mais 120.000 menos 40.000, ou R$ 130.000,00.
Se a receita líquida do mês foi de R$ 200.000,00, o lucro bruto é de R$ 70.000,00. Note que a fábrica produziu R$ 120.000,00 e vendeu o equivalente a R$ 130.000,00 a custo: ela vendeu mais do que produziu e consumiu estoque.
De onde vem o valor do estoque no CPV?
O CPV só fica correto se o estoque estiver certo. Os produtos em fabricação e os acabados são avaliados pelo custo de produção, e a empresa que mantém sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração pode usar esses custos para avaliar os estoques (RIR, art. 306, §§ 1º e 2º). O valor dos bens existentes no fim do período pode ser pelo custo médio ou pelo custo dos bens produzidos mais recentemente (art. 307).
O levantamento físico que dá base a essa conta está em O que é inventário de estoque: contar, valorar e conferir o que a empresa tem na prateleira. Sem custo apurado por produto, o preço de venda vira palpite.
O CPV muda o imposto?
No Lucro Real, o custo entra na apuração do lucro, e o tema para a indústria está em Lucro Real na indústria: crédito de insumo, IPI, máquinas e incentivo regional. No Simples e no Lucro Presumido o imposto parte da receita, e o CPV não reduz a base. Nesses regimes o CPV serve para saber o preço mínimo e a margem, como mostram a O que é margem de contribuição: quanto cada venda deixa para pagar a estrutura e a DRE de O que é DRE e para que serve: como ler o resultado da empresa em 6 linhas.
Como a WJR ajuda com o custo da indústria
A WJR atende, entre outros perfis, a indústria pequena. Ela tem o serviço de demonstrativos contábeis, e o cliente fala com um time especializado no grupo de WhatsApp da empresa. O escritório é presencial, com pessoas reais, tem mais de 30 anos de experiência e 5 estrelas no Google.
O primeiro passo é o Diagnóstico WJR, gratuito e sem compromisso, presencial ou online.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre CPV e CMV?+
O CMV é o custo de quem revende mercadoria comprada pronta. O CPV é o de quem fabrica, e inclui matéria-prima, mão de obra e custos de produção.
Empresa de serviços tem CPV?+
Não com esse nome. O equivalente é o custo dos serviços prestados, e a Lei das S.A. fala em custo das mercadorias e serviços vendidos na DRE (art. 187, II).
Depreciação das máquinas entra no CPV?+
Sim, quando as máquinas são aplicadas na produção. O RIR inclui no custo de produção os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção (art. 302, III).
O salário do vendedor entra no CPV?+
Não. O custo de produção reúne o pessoal aplicado na produção, e o salário da área comercial é despesa de vendas.
Posso lançar bens de consumo eventual direto no custo?+
O RIR admite quando o valor não excede 5% do custo total dos produtos vendidos no período anterior (art. 302, § 1º). O contador confere o enquadramento. Para saber o custo real do que você fabrica, conheça o serviço de Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa e peça o Diagnóstico WJR.
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Fontes: Planalto, RIR (Decreto 9.580/2018), arts. 301 a 303, 306 e 307 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/D9580.htm, Planalto, Decreto-Lei 1.598/1977, arts. 13 e 14 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1598.htm, Planalto, Lei 6.404/1976, art. 187, II https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm
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