A nota fiscal em papel, aquele talão de modelo 1 ou 1-A, não existe mais para quem está credenciado a emitir NF-e: o Ajuste SINIEF 07/05 proíbe o talão para esse contribuinte, salvo quando a lei do estado permitir. Em São Paulo, a Portaria SRE 80/2025 reforça isso: onde a NF-e substitui a nota modelo 1 ou 1-A, o destinatário não pode receber mercadoria com outro documento, salvo contingência (art. 13, §1º). O papel que sobra no dia a dia é o DANFE, a impressão da nota eletrônica.
Esta página é para o dono de loja, oficina ou pequena indústria que ainda tem um talão guardado na gaveta, para quem herdou um negócio antigo e para quem quer saber o que fazer quando o sistema cai. A resposta curta: fora de poucos casos, o talão não vale no lugar da nota eletrônica.
Por que a nota fiscal em papel acabou
A NF-e, modelo 55, foi instituída pelo Ajuste SINIEF 07/05, cláusula 1ª, em substituição à Nota Fiscal modelo 1 ou 1-A e à Nota Fiscal de Produtor, modelo 4. A proibição expressa está na cláusula 2ª, §3º: é vedada a emissão desses modelos por contribuinte credenciado à emissão de NF-e, "exceto quando a legislação estadual assim permitir".
Ou seja, a regra federal fecha a porta e deixa a chave com cada estado. Por isso a pergunta "ainda existe?" tem resposta diferente conforme o lugar. Em São Paulo, a porta está quase toda fechada.
As exceções da nota fiscal em papel em São Paulo
A antiga Portaria CAT 162/2008, revogada pela Portaria SRE 80/2025, vedava o modelo 1 ou 1-A nos estabelecimentos obrigados à NF-e, com quatro exceções. Não encontrei essa lista no texto da portaria nova, que só diz que, onde a NF-e substitui o modelo 1 ou 1-A, não se pode receber mercadoria acobertada por outro documento (art. 13, §1º). Por isso, trate as hipóteses abaixo como a regra anterior e confirme com o contador antes de usar talão:
- Estabelecimento parado há 12 meses nas atividades da lista: o que, há 12 meses, não exerce nenhuma das atividades listadas no anexo da portaria.
- Venda fora do estabelecimento: a operação do art. 434 do RICMS, com termo lavrado no livro Registro de Uso de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência (RUDFTO).
- Pequeno fabricante de cachaça ou de vinho: se a receita bruta do ano anterior foi inferior a R$ 360.000,00.
- Entrada de sucata de particulares: abaixo de 200 kg, com uma NF-e que englobe as entradas do dia.
Fora desses casos, a empresa paulista credenciada emite NF-e. Se o seu negócio não se encaixa claramente em uma das situações, trate o talão como coisa do passado.
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O que fazer com o talão que sobrou
Quem tinha formulários de modelo 1 ou 1-A quando passou a ser obrigado à NF-e precisava inutilizar os que não foram usados, pela regra anterior de São Paulo, que dava 15 dias a partir do início da obrigação; a portaria nova não repete esse prazo. Guardar o talão "para emergência" não ajuda, porque ele não serve como plano B da nota eletrônica.
Não confunda essa inutilização de formulário em papel com a inutilização de números da NF-e, que é outro procedimento, feito quando a sequência eletrônica pula um número. Essa está em Inutilizar numeração NF-e: quando pedir, o prazo e a diferença para o cancelamento.
Se a nota é eletrônica, que papel é esse que acompanha a mercadoria?
É o DANFE, o documento auxiliar da NF-e. Ele não é a nota: é uma impressão que acompanha a mercadoria, emitida em uma via. O DANFE só pode ser impresso depois que a nota foi autorizada pela SEFAZ. O caminho completo da NF-e, do credenciamento à autorização, está em NF-e: o que é a nota fiscal eletrônica e quem precisa emitir.
No varejo, o papel da venda ao consumidor também mudou de nome. A diferença entre nota e cupom e o que substituiu o cupom estão em Diferença entre cupom fiscal e nota fiscal: o que vale em 2026.
E quando a internet ou a SEFAZ cai?
Aqui está o único papel "de emergência" que a lei prevê, e mesmo ele não é talão. Entre as modalidades de contingência do Ajuste 07/05 está o FS-DA: o DANFE impresso em formulário de segurança, que depois precisa virar NF-e transmitida e autorizada. As outras modalidades, os prazos para transmitir e o que anotar no livro estão em Nota fiscal em contingência: o que fazer quando a SEFAZ sai do ar.
E o produtor rural, ainda usa o bloco?
A Nota Fiscal de Produtor, modelo 4, saiu de cena: pela Portaria SRE 80/2025, art. 4º, o estabelecimento de produtor rural deve emitir NF-e ou NFC-e no lugar dela. Segundo a SEFAZ-SP, a obrigação vale desde 03/02/2025 para quem teve receita rural acima de R$ 360 mil em 2023 ou 2024 e desde 05/01/2026 para os demais. O detalhe está em O que é nota fiscal de produtor: o bloco modelo 4 e a NF-e que o substituiu.
E o MEI, pode usar nota em papel?
Em São Paulo, o MEI está fora da obrigação de emitir NF-e (Portaria SRE 80/2025, art. 5º). Quando quer ou precisa emitir, tem a Nota Fiscal Fácil da SEFAZ-SP, gratuita e sem certificado digital desde 16/09/2024.
Em 2026, o MEI ainda está dispensado de emitir nota para consumidor pessoa física. A partir de 01/01/2027, a Resolução CGSN 190/2026 passa a exigir nota em todas as vendas e serviços do MEI; o detalhe está em MEI precisa emitir nota fiscal para pessoa física? A regra de 2026 e a de 2027.
Como a WJR ajuda com a nota eletrônica
A WJR tem emissor de notas próprio e, na abertura de empresa, entrega o negócio com CCM, certificado digital e emissor de notas já configurados. Na NFS-e nacional, faz todo o processo junto ao cliente. Conheça o time em Quem somos: a WJR Contabilidade, na Mooca desde 1995 e veja outros temas de nota fiscal em Nota fiscal eletrônica: o guia da WJR para quem tem empresa.
Perguntas frequentes
Nota fiscal em papel ainda é válida?+
Não para quem está credenciado à NF-e. O Ajuste SINIEF 07/05, cláusula 2ª, §3º, proíbe o talão modelo 1 ou 1-A a esse contribuinte, salvo se a lei do estado permitir.
Em São Paulo alguém ainda pode usar o talão?+
Pela regra anterior (antiga Portaria CAT 162, revogada), havia quatro casos, como a venda fora do estabelecimento e o fabricante de cachaça ou vinho com receita anual abaixo de R$ 360.000,00. A Portaria SRE 80/2025 não repete a lista, então confirme com o contador antes de usar talão.
O DANFE é a nota fiscal?+
Não. O DANFE é a representação impressa da NF-e, que só pode ser impressa depois da autorização. A nota é o arquivo eletrônico autorizado.
Posso usar o talão quando a internet cai?+
Não. A contingência prevista é outra: SVC, EPEC ou DANFE em formulário de segurança (FS-DA), e a nota precisa ser transmitida depois.
O MEI de São Paulo é obrigado a emitir NF-e?+
Não. A Portaria SRE 80/2025, art. 5º, afasta a obrigação para o MEI, e ele pode emitir pela Nota Fiscal Fácil, gratuita e sem certificado. A WJR tem emissor de notas próprio para os clientes e entrega a empresa aberta com o emissor configurado; veja como funciona em Emissor de nota fiscal para a sua empresa emitir sem erro.
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Fontes: CONFAZ, Ajuste SINIEF 07/05 (cláusulas 1ª, 2ª e 11ª) https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/ajustes/2005/AJ007_05, SEFAZ-SP, Portaria SRE 80/2025 (arts. 4º, 5º, 12, 13 e 16) https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/Portaria-SRE-80-de-2025.aspx, SEFAZ-SP, Nota Fiscal Fácil (produtor rural e MEI) https://portal.fazenda.sp.gov.br/servicos/nff, SEFAZ-SP, Nota Fiscal Fácil https://portal.fazenda.sp.gov.br/servicos/nff, Receita Federal, Resolução CGSN 190/2026 https://normasinternet2.receita.fazenda.gov.br/#/consulta/externa/152832, Portal da NF-e https://www.nfe.fazenda.gov.br/portal/principal.aspx
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