Para saber como ler um balanço, compare o que a empresa tem e o que ela deve no curto prazo, veja quanto do que ela tem foi pago com dinheiro de terceiros e, por fim, quanto sobra de fato para os sócios. Essas três leituras seguem os grupos em que a Lei 6.404, art. 178, organiza o balanço.
Este guia é para o dono de pequena e média empresa que recebe o balanço do contador no fim do ano, assina e guarda na gaveta. O balanço é uma foto da empresa numa data, e aprender a olhar essa foto ajuda a decidir se dá para investir, se o caixa aguenta um pedido grande e como se preparar para conversar com o gerente do banco.
O que o balanço mostra, em três blocos
O Código Civil, art. 1.188, diz que o balanço deve mostrar com fidelidade e clareza a situação real da empresa, indicando o ativo e o passivo separadamente. A Lei 6.404, art. 178, organiza essa foto em grupos. Para a leitura do dono, bastam três blocos:
- Ativo: o que a empresa tem e o que tem a receber, em ordem decrescente de liquidez, isto é, do que vira dinheiro mais rápido para o que demora mais.
- Passivo: o que a empresa deve a terceiros, como fornecedores, bancos, impostos e salários.
- Patrimônio líquido: a diferença entre os dois, que é o que pertence aos sócios.
Ativo e passivo se dividem em circulante, o que vence ou vira dinheiro no curto prazo, e não circulante, o que fica para depois. Essa divisão é a chave de quase toda a leitura. A lista completa dos grupos, conta por conta, está em Balanço patrimonial: o que é, o que cada grupo mostra e quem assina.
Liquidez: a empresa paga o que vence?
A primeira comparação é entre o ativo circulante e o passivo circulante. De um lado, caixa, bancos, clientes a receber e estoque. Do outro, fornecedores, impostos, salários e parcelas de empréstimo que vencem logo.
A conta mais usada é a liquidez corrente: ativo circulante dividido pelo passivo circulante. Um exemplo com números hipotéticos:
| Conta | Valor |
|---|---|
| Ativo circulante | R$ 360.000 |
| Passivo circulante | R$ 300.000 |
| Liquidez corrente | 1,2 |
Leitura: para cada R$ 1,00 que vence no curto prazo, a empresa tem R$ 1,20 em recursos de curto prazo. Mas olhe o que está dentro do ativo circulante. Se boa parte for estoque parado ou cliente que não paga, o número engana.
Não existe um índice "certo" fixado por lei ou norma contábil. Compare com o próprio histórico da empresa e com empresas do mesmo setor. Uma loja com giro rápido e um fabricante com estoque longo têm estruturas bem diferentes.
Diagnóstico WJR, gratuito e sem compromisso
Chama no WhatsApp, conta o que te incomoda e a gente responde em algumas horas.
Capital de giro: quanto sobra para rodar a operação
O capital de giro, na leitura mais simples, é o ativo circulante menos o passivo circulante. No exemplo acima, R$ 360.000 menos R$ 300.000 dá R$ 60.000.
Esse valor é a folga que a empresa tem para comprar, produzir e vender antes de receber. Quando ele fica negativo, a empresa está usando dívida de curto prazo para financiar a operação do dia a dia. Nem sempre é crise, mas é um sinal para olhar o caixa com lupa.
O capital de giro muda com três movimentos do negócio:
- Vender a prazo mais longo aumenta clientes a receber e prende dinheiro.
- Comprar estoque além do que vende prende dinheiro na prateleira.
- Negociar prazo maior com fornecedor alivia o caixa.
Os prazos médios de recebimento, estoque e pagamento, com fórmula, estão em Indicadores financeiros: como calcular pelas demonstrações contábeis e o que cada um diz.
Endividamento: quanto do negócio é de terceiros
A segunda pergunta olha o balanço inteiro. Some o passivo circulante e o não circulante e compare com o ativo total. Seguindo o mesmo exemplo hipotético:
| Conta | Valor |
|---|---|
| Ativo total | R$ 800.000 |
| Passivo circulante + não circulante | R$ 450.000 |
| Patrimônio líquido | R$ 350.000 |
| Passivo sobre ativo | cerca de 56% |
Leitura: pouco mais da metade do que a empresa tem foi financiada por terceiros. Dívida não é defeito. Empréstimo que financia máquina que se paga é diferente de empréstimo que cobre prejuízo mês após mês.
Por isso, além do tamanho, olhe o perfil: quanto vence no curto prazo, quanto é com banco e quanto é imposto parcelado. Um passivo que cresce todo ano enquanto as vendas ficam paradas merece conversa com o contador.
Patrimônio líquido: o que sobra para os sócios
O patrimônio líquido reúne o capital que os sócios colocaram e os resultados que ficaram na empresa. Pela Lei 6.404, art. 178, ele aparece dividido em capital social, reservas, ajustes de avaliação patrimonial, ações em tesouraria e prejuízos acumulados.
Três leituras rápidas para o dono:
- Patrimônio líquido crescendo: a empresa está retendo resultado ou recebendo capital.
- Prejuízos acumulados: o negócio perdeu dinheiro em anos anteriores, e isso precisa ser explicado.
- Patrimônio líquido negativo: as dívidas superam tudo o que a empresa tem. É o sinal mais sério do balanço.
O balanço sozinho não diz por que o resultado veio assim. Para isso, leia junto a demonstração do resultado, explicada em Como ler uma DRE: o passo a passo para o dono da empresa.
O que o banco olha e o que o sócio olha
Não há norma que diga o que um banco analisa no balanço. Cada instituição tem sua política de crédito. O que dá para dizer é que quem empresta quer saber se será pago, e essa resposta passa pela liquidez e pelo endividamento. O tema está desenvolvido em Balanço para banco: o que costuma ser pedido e por que não existe balanço só para o crédito.
O sócio olha outra coisa: se o patrimônio líquido cresce, se há dinheiro para retirar sem sufocar o caixa e se a conta de empréstimos a sócios está crescendo sem explicação.
Como o balanço anual é uma foto de um único dia, muita empresa acompanha as mesmas contas mês a mês pelo balancete, uma boa prática que não é obrigação legal. Veja em Balancete: o que é, para que serve e o que conferir todo mês.
Como a WJR ajuda a ler o balanço
A WJR atende empresas de todos os regimes tributários, do Simples ao Lucro Real, e a elaboração das demonstrações contábeis está no serviço de Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa. Quem quer entender os números da própria empresa pode tirar dúvidas com o time especializado pelo grupo de WhatsApp da empresa, por e-mail ou pelo portal do cliente.
Antes de contratar, o Diagnóstico WJR é gratuito e sem compromisso, presencial ou online. Os outros guias sobre demonstrações estão em Demonstrativos contábeis: o guia para entender balanço, DRE e companhia.
Perguntas frequentes
Existe um índice de liquidez mínimo obrigatório?+
Não. Nenhuma lei ou norma contábil fixa um índice mínimo. A leitura se faz comparando a empresa com o próprio histórico e com empresas do mesmo setor.
Capital de giro negativo quer dizer que a empresa vai quebrar?+
Não necessariamente. Quer dizer que dívidas de curto prazo estão financiando a operação. Vale entender a causa: prazo de venda longo, estoque alto ou prejuízo.
O balanço mostra se a empresa deu lucro?+
Só indiretamente, pela variação do patrimônio líquido. O lucro do ano aparece na demonstração do resultado, que acompanha o balanço, como diz o Código Civil, art. 1.189.
Patrimônio líquido negativo é ilegal?+
Não. É uma situação econômica, não uma infração. Mas mostra que as dívidas superam o que a empresa tem e pede um plano para reequilibrar as contas.
Preciso do balanço para ler esses números todo mês?+
Não. O balanço é anual. Para acompanhar mês a mês, o caminho é o balancete, que traz o saldo de cada conta. Se você quer um balanço que dê para ler e usar nas decisões, a WJR trata das demonstrações contábeis em Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa.
Leia também
- Como ler uma DRE: o passo a passo para o dono da empresa
Como ler uma DRE de cima para baixo: receita, lucro bruto, despesas, resultado e lucro líquido, com margens, EBITDA e os sinais de alerta que o dono deve procurar.
- Demonstrações contábeis em inglês: IFRS, CPC e o reporte para a matriz
Demonstrações contábeis em inglês para a matriz: os livros oficiais seguem em português e em reais, o padrão brasileiro segue o IFRS e a versão em inglês é relatório à parte.
- Demonstrações contábeis obrigatórias: o que cada porte de empresa precisa fazer
Demonstrações contábeis obrigatórias por porte: micro na NBC TG 1002, pequena na 1001, média na 1000 e grande nas normas completas, com auditoria. Veja a S.A.
Fontes: Planalto, Lei 6.404/1976 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm, Planalto, Código Civil https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
Diagnóstico WJR, gratuito e sem compromisso
Chama no WhatsApp, conta o que te incomoda e a gente responde em algumas horas.