Para saber como ler uma DRE, leia de cima para baixo, na ordem das linhas: receita bruta, deduções, receita líquida, custo, lucro bruto, despesas, resultado antes do imposto de renda e lucro líquido. Em cada degrau, pergunte quanto sobrou da receita líquida: essa porcentagem, a margem, diz mais sobre a saúde da empresa do que o valor do lucro sozinho.
Este texto é para o dono que recebe a demonstração do resultado do contador, olha a última linha e fecha o arquivo. A DRE responde a perguntas que o extrato do banco não responde: se o preço cobre o custo, se a estrutura cresceu mais do que as vendas e se o lucro vem da operação ou de um evento de fora dela.
A ordem das linhas: o caminho da receita ao lucro
A estrutura da DRE está na Lei 6.404, art. 187, e a explicação de cada linha em DRE: o que é a demonstração do resultado e o que cada linha diz. Para ler, basta lembrar que cada linha tira alguma coisa da anterior. Um exemplo com números hipotéticos, de uma empresa de comércio no ano:
| linha | valor | % da receita líquida |
|---|---|---|
| receita bruta | R$ 1.000.000,00 | |
| deduções (impostos sobre vendas e devoluções) | R$ 120.000,00 | |
| receita líquida | R$ 880.000,00 | 100% |
| custo das mercadorias vendidas | R$ 480.000,00 | |
| lucro bruto | R$ 400.000,00 | 45,45% |
| despesas com vendas | R$ 90.000,00 | |
| despesas gerais e administrativas (inclui R$ 20.000,00 de depreciação) | R$ 180.000,00 | |
| despesas financeiras líquidas | R$ 30.000,00 | |
| resultado antes do IRPJ e da CSLL | R$ 100.000,00 | 11,36% |
| IRPJ e CSLL (valor do exemplo) | R$ 24.000,00 | |
| lucro líquido | R$ 76.000,00 | 8,64% |
A DRE segue o regime de competência: a venda entra no mês em que aconteceu, mesmo que o dinheiro caia depois (art. 187, §1º). Por isso lucro e caixa andam separados, e a diferença aparece na DFC, assunto de DFC: o que é a demonstração do fluxo de caixa e quem precisa fazer.
Como ler uma DRE em quatro perguntas
1. A receita líquida cresceu? Compare com o mesmo período do ano anterior. Olhe a receita líquida, e não a bruta: devolução alta e desconto grande aparecem nas deduções e comem a venda antes de ela virar receita.
2. A margem bruta se manteve? O lucro bruto mostra quanto sobra depois de pagar a mercadoria ou o custo direto do serviço. No exemplo, sobram 45,45 centavos de cada real de receita líquida. Se essa margem cai, o problema está no preço, no custo de compra ou no mix de produtos, e não nas despesas do escritório.
3. As despesas cresceram mais do que a receita? Separe as despesas que sobem com a venda, como comissão e frete, das que ficam paradas, como aluguel, salários da administração e sistemas. No exemplo, vendas e administração juntas levam cerca de 30,7% da receita líquida. Quando a despesa fixa cresce e a receita não, a margem operacional encolhe mês a mês.
4. De onde veio o lucro final? Confira as linhas de despesas financeiras e de outras receitas e despesas. Um lucro que só existe por causa de uma venda de imóvel ou de um ganho fora da operação não se repete no ano seguinte.
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EBITDA: o que é e como aparece na DRE
EBITDA, em português LAJIDA, é o lucro antes dos juros, dos impostos sobre o lucro, da depreciação e da amortização. A ideia é medir quanto a operação gera antes das decisões de financiamento e do desgaste contábil dos ativos.
Ele não é uma linha da DRE. É uma medida de natureza não contábil: para as companhias abertas, a CVM trata da divulgação voluntária do LAJIDA e do LAJIR na Resolução CVM 156/2022. Numa Ltda, o EBITDA é um cálculo de análise, feito a partir da DRE.
No exemplo, a conta fica assim: resultado antes do IRPJ e da CSLL de R$ 100.000,00, mais R$ 30.000,00 de despesas financeiras, mais R$ 20.000,00 de depreciação, dá R$ 150.000,00, ou 17,05% da receita líquida. Antes de comparar o EBITDA de duas empresas, pergunte o que entrou e o que saiu da conta de cada uma. Os outros indicadores estão em Indicadores financeiros: como calcular pelas demonstrações contábeis e o que cada um diz.
Cinco sinais de alerta na DRE
Não existe margem "certa" fixada em norma. O que vale é comparar a empresa com o próprio histórico e com empresas do mesmo setor. Com essa régua, cinco sinais pedem conversa com o contador:
- Receita sobe e lucro bruto não acompanha. No exemplo, se a receita líquida sobe 10%, para R$ 968.000,00, e o lucro bruto fica em R$ 405.000,00, a margem bruta cai de 45,45% para 41,84%.
- Despesa fixa cresce mais rápido do que a receita, ano após ano.
- Despesa financeira em alta, sinal de que a empresa está pagando juros para girar.
- Lucro depende de "outras receitas", e não da venda do produto ou serviço.
- Lucro na DRE e falta de dinheiro no caixa, que pede leitura da DFC e do balanço, em Como ler um balanço: liquidez, endividamento e capital de giro para o dono da empresa.
Nenhum desses sinais, sozinho, prova que algo vai mal. Eles mostram onde olhar primeiro.
A DRE muda em 2027
Em 2026, a empresa que segue as normas completas ainda apresenta a DRE pela NBC TG 26 (R5). Nos exercícios iniciados a partir de 1º de janeiro de 2027, a NBC TG 51 (CPC 51, IFRS 18) substitui essa norma, com categorias de receitas e despesas e novos subtotais, como explica DRE: o que é a demonstração do resultado e o que cada linha diz.
A troca vale para quem segue as normas completas. Para o dono, o caminho de leitura de cima para baixo continua valendo.
Como a WJR ajuda a ler a DRE da empresa
A WJR atende todos os regimes tributários, do Simples ao Lucro Real, e o time especializado fica no grupo de WhatsApp da empresa para responder dúvidas sobre os números, além de e-mail e portal do cliente, presencial ou online. Para quem precisa distribuir lucro acima da base presumida, a escrituração contábil de onde sai a DRE é entregue pela WJR se está no escopo; se não está, é contratada à parte.
Se você quer conversar sobre os números da sua empresa, o Diagnóstico WJR é gratuito e sem compromisso, com resposta em algumas horas. O escritório, na Mooca desde 1995, está em Quem somos: a WJR Contabilidade, na Mooca desde 1995, e os outros temas de demonstrações em Demonstrativos contábeis: o guia para entender balanço, DRE e companhia.
Perguntas frequentes
Lucro bruto e lucro líquido são a mesma coisa?+
Não. O lucro bruto é a receita líquida menos o custo do que foi vendido; o lucro líquido é o que sobra depois das despesas, do resultado financeiro e dos tributos sobre o lucro (Lei 6.404, art. 187).
O EBITDA faz parte da DRE?+
Não. É uma medida de natureza não contábil calculada a partir da DRE; a CVM trata da divulgação voluntária do LAJIDA e do LAJIR por companhias abertas (Resolução CVM 156/2022).
A DRE mostra o dinheiro que entrou no caixa?+
Não. A DRE segue o regime de competência (Lei 6.404, art. 187, §1º); o dinheiro que entrou e saiu aparece na demonstração dos fluxos de caixa.
Existe uma margem de lucro mínima definida em lei?+
Não. Margens são medidas de análise; compare com o histórico da própria empresa e com empresas do mesmo setor.
A DRE vai mudar?+
Sim, para quem segue as normas completas. Nos exercícios iniciados a partir de 1º de janeiro de 2027, a NBC TG 51 traz categorias de receitas e despesas e novos subtotais. Para ter as demonstrações que alimentam essa leitura, veja como a WJR trabalha em Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa.
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Fontes: Planalto, Lei 6.404/1976 (art. 187) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm, CVM, Resolução 156/2022 (ementa) https://conteudo.cvm.gov.br/legislacao/resolucoes/resol156.html, CFC, IFRS 18 e CPC 51 https://cfc.org.br/noticias/54-o-circuito-tecnico-apresenta-as-principais-alteracoes-na-ifrs-18-cpc-51/, CVM, CPC 51 https://www.gov.br/cvm/pt-br/assuntos/noticias/2025/cvm-edita-normas-sobre-novas-regras-contabeis-provenientes-do-pronunciamento-tecnico-cpc-51, CFC, normas completas https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/normas-completas/
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