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Demonstrações contábeis em inglês: IFRS, CPC e o reporte para a matriz

No Brasil, a escrituração oficial é feita em português e em reais (Código Civil, art. 1.183), então as demonstrações contábeis em inglês são um relatório à parte, preparado a partir dos livros brasileiros para a matriz ou o investidor estrangeiro. Como a Lei 6.404, art. 177, §5º, manda que as normas da CVM sigam os padrões internacionais, cada norma brasileira (CPC e NBC TG) tem a sua correspondente no IFRS, o que facilita a conversão.

As demonstrações contábeis em inglês são um relatório à parte: no Brasil, os livros oficiais da empresa são escritos em português e em reais, como manda o Código Civil, art. 1.183, e a versão em inglês é preparada a partir deles para a matriz, o sócio ou o investidor no exterior. A boa notícia é que o padrão contábil brasileiro das normas completas é alinhado ao IFRS, então a conversão é, em grande parte, tradução e reorganização, não uma segunda contabilidade.

Isto é para a subsidiária brasileira de grupo estrangeiro, para a empresa com sócio de fora e para quem vai receber investidor internacional. O que muda na rotina é o calendário: além das obrigações daqui, alguém pede números em outro idioma, às vezes em outra moeda e com prazo curto.

Por que os livros oficiais não podem ser em inglês

O Código Civil, art. 1.183, determina que a escrituração seja feita em idioma e moeda corrente nacionais. Os livros que valem perante o fisco, a Junta Comercial e o Judiciário, como o Diário e o Razão, ficam em português e em reais. Como eles funcionam está em Livro diário e razão: o que cada um registra e por quanto tempo guardar.

Na prática, isso gera duas camadas:

  • Os livros brasileiros: oficiais, em português, em reais, base de todos os impostos e declarações.
  • Os relatórios para fora: em inglês, às vezes convertidos para a moeda da matriz, no formato e no plano de contas que o grupo usa.

A versão em inglês não substitui nada aqui. Se houver diferença entre as duas, quem vale no Brasil são os livros em português.

BR GAAP e IFRS: quanto se parecem

A Lei 6.404, art. 177, §5º, com a redação da Lei 11.638/2007, determina que as normas contábeis da CVM sejam elaboradas em consonância com os padrões internacionais adotados nos principais mercados de valores mobiliários. É por isso que as normas brasileiras, os pronunciamentos do CPC e as NBC TG do CFC, correspondem a normas do IFRS.

O CFC publica essa correlação na lista das normas completas, e a Estrutura Conceitual corresponde ao CPC 00 (R2). Alguns exemplos:

| Assunto | Norma do CFC | Pronunciamento CPC | Norma internacional |

|---|---|---|---|

| Apresentação das demonstrações | NBC TG 26 (R5) | CPC 26 (R1) | IAS 1 |

| Fluxos de caixa | NBC TG 03 (R3) | CPC 03 (R2) | IAS 7 |

| Apresentação a partir de 2027 | NBC TG 51 | CPC 51 | IFRS 18 |

A última linha importa para quem reporta ao exterior. A NBC TG 51, correspondente ao IFRS 18, substitui a NBC TG 26 (R5) nos exercícios iniciados a partir de 01/01/2027, com novas categorias e subtotais na demonstração do resultado. O detalhe está em DRE: o que é a demonstração do resultado e o que cada linha diz.

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Micro e pequena empresa seguem outra régua

As normas completas, as que têm correlação direta com o IFRS, não são a regra para todo mundo. Desde 2023, micro e pequenas empresas seguem normas próprias do CFC, mais enxutas, definidas pela receita do ano anterior. Qual demonstração cada porte apresenta está em Demonstrações contábeis obrigatórias: o que cada porte de empresa precisa fazer.

Isso pesa na conversa com a matriz. Uma subsidiária pequena pode fazer, com correção, as demonstrações brasileiras do seu porte, e mesmo assim o grupo pedir informações no padrão IFRS completo para consolidar. São duas entregas diferentes, e vale combinar logo no início qual é qual.

O que costuma entrar no reporte para a matriz

Não existe norma brasileira sobre o que a matriz estrangeira pode pedir. Cada grupo define o seu pacote. Os itens mais comuns são:

  1. Balance sheet: o balanço patrimonial, com ativo, passivo e patrimônio líquido.
  2. Income statement: a demonstração do resultado do período.
  3. Cash flow statement: a demonstração dos fluxos de caixa.
  4. Notes: as notas explicativas, com critérios e detalhes relevantes.
  5. Mapeamento de contas: a ligação entre o plano de contas brasileiro e o do grupo.
  6. Conversão de moeda: quando a matriz consolida em dólar, euro ou outra moeda.

Os dois últimos itens costumam dar mais trabalho que a tradução. Uma conta que no Brasil fica em "despesas administrativas" pode, no plano do grupo, ir para outra linha. Esse mapa precisa ser feito uma vez, com cuidado, e revisado quando algo muda.

Onde as demonstrações contábeis em inglês pedem mais cuidado

Mesmo com as normas alinhadas, três pontos exigem atenção de quem prepara o reporte:

  • Calendário: a matriz pode pedir números mensais em poucos dias, enquanto a escrituração brasileira segue os prazos locais.
  • Impostos brasileiros: PIS, Cofins, ISS e ICMS são tributos que o leitor estrangeiro costuma não conhecer e pedem explicação na nota.
  • Termos locais: Ltda, pró-labore e Simples Nacional são conceitos brasileiros que precisam de uma linha de explicação.

Uma nota curta explicando essas particularidades evita perguntas repetidas a cada fechamento.

Como a WJR atende empresas que reportam em inglês

A WJR prepara relatórios gerenciais em inglês nas normas internacionais e tem multinacionais da indústria e da tecnologia entre os clientes, como mostra Quem somos: a WJR Contabilidade, na Mooca desde 1995. A página Contabilidade para empresas estrangeiras: filial, sócio estrangeiro e SCE-IED reúne o que muda para a empresa de capital estrangeiro.

Demonstrações em IFRS completo, auditadas ou em pacote de reporte padronizado do grupo são outra entrega: depende do caso, no Diagnóstico WJR a gente diz. As demonstrações brasileiras ficam no serviço de Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa, e os outros guias do tema em Demonstrativos contábeis: o guia para entender balanço, DRE e companhia.

Perguntas frequentes

Posso fazer a contabilidade oficial da empresa em inglês?+

Não. O Código Civil, art. 1.183, exige escrituração em idioma e moeda corrente nacionais. O inglês entra em relatórios à parte.

O padrão contábil brasileiro é igual ao IFRS?+

Não é idêntico, mas é alinhado. A Lei 6.404, art. 177, §5º, manda que as normas da CVM sigam os padrões internacionais, e o CFC publica a correlação de cada norma com o IFRS.

A versão em inglês substitui os livros oficiais?+

Não. Ela é um relatório para uso da matriz ou do investidor. Os livros que valem no Brasil seguem em português e em reais, pelo Código Civil, art. 1.183.

O IFRS 18 muda algo para a subsidiária brasileira?+

Sim. A NBC TG 51, correspondente ao IFRS 18, vale para exercícios iniciados a partir de 01/01/2027 nas empresas que seguem as normas completas, com nova estrutura na demonstração do resultado.

Microempresa com sócio estrangeiro precisa de IFRS completo?+

Não por lei. A microempresa segue a norma do seu porte. Se a matriz pede IFRS completo para consolidar, isso é exigência do grupo, não da legislação brasileira. Se a sua empresa reporta para fora e precisa de demonstrações brasileiras sólidas como base, a WJR trata disso em Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa.

Leia também

Fontes: Planalto, Código Civil https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm, Planalto, Lei 6.404/1976 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm, Planalto, Lei 11.638/2007 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm, CFC, Normas completas https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/normas-completas/, CVM, CPC 51 https://www.gov.br/cvm/pt-br/assuntos/noticias/2025/cvm-edita-normas-sobre-novas-regras-contabeis-provenientes-do-pronunciamento-tecnico-cpc-51, CFC, IFRS 18 e CPC 51 https://cfc.org.br/noticias/54-o-circuito-tecnico-apresenta-as-principais-alteracoes-na-ifrs-18-cpc-51/

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