Respondendo de cara: com a reforma tributária o Simples Nacional não acaba. O regime continua existindo, com a mesma lógica de guia única. O que muda de verdade é o entorno: o cliente pessoa jurídica passa a olhar quanto de crédito consegue aproveitar na compra que faz de você.
Este texto é para o dono de empresa optante pelo Simples que vende para outras empresas e para quem está avaliando se continua no regime. Se o seu cliente é pessoa física, o efeito é bem menor. Se é pessoa jurídica, a conversa sobre preço muda de assunto, e é melhor chegar antes.
As propostas do plano de governo do presidente reeleito para o período de 2027 a 2030, e o que depende do Congresso, estão em Lula reeleito: o que muda na sua empresa até 2030, segundo o plano de governo.
O Simples Nacional acaba com a reforma tributária?
Não. A reforma tributária foi construída sobre a Emenda Constitucional 132/2023, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025 e completada pela Lei Complementar 227/2026, publicada em janeiro de 2026, que criou o Comitê Gestor do IBS e fechou a etapa legislativa. Em nenhuma dessas peças o Simples Nacional é extinto.
O que a reforma faz é trocar os tributos sobre consumo. A CBS é federal e substitui PIS e Cofins. O IBS substitui ICMS, que é estadual, e ISS, que é municipal, e passa a ser administrado pelo Comitê Gestor do IBS, que reúne estados e municípios. É o chamado IVA dual, com base ampla e crédito como regra, e explicamos esse desenho em IBS e CBS: o que são, quem administra e o que muda no seu preço.
Guarde a expressão "crédito como regra", porque é dela que sai todo o resto deste artigo. O sistema novo foi desenhado para que o imposto pago numa etapa vire crédito na etapa seguinte. Quem está fora dessa corrente de crédito fica visível.
Por que o crédito do seu cliente virou assunto comercial
Hoje o Simples Nacional é um pacote fechado: você recolhe vários tributos numa guia só, com alíquota própria, e o cliente que compra de você aproveita pouco ou nada disso. Isso sempre existiu, mas era um detalhe técnico que quase ninguém colocava na mesa de negociação.
Com IBS e CBS, o crédito deixa de ser detalhe. O comprador pessoa jurídica passa a comparar fornecedores também pelo crédito que consegue tomar em cada compra. Entre dois orçamentos parecidos, o que gera mais crédito fica mais barato no fim das contas para quem compra, mesmo com o mesmo valor na nota.
Na prática, isso puxa três conversas. A de preço, porque o desconto pedido pode ter origem no crédito e não na sua margem. A de carteira, porque vender para pessoa física e para pessoa jurídica passam a ter dinâmicas diferentes. E a de regime, que ganha uma variável nova.
Nada disso significa que o Simples ficou ruim. Significa que a resposta deixou de ser automática. Para muita empresa, o Simples segue sendo o melhor caminho; para outras, a conta vira. É exatamente esse tipo de comparação que fazemos em Planejamento tributário para pagar o imposto certo, olhando o seu faturamento, a sua folha e o perfil dos seus clientes.
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Recolher IBS e CBS por dentro ou por fora do DAS: a regra, o prazo e o crédito
A opção existe e está escrita na lei, não é promessa de regulamentação futura. O optante pelo Simples pode recolher IBS e CBS pelo regime regular, ou seja, por fora do DAS, pelo art. 41, §§3º e 4º, da Lei Complementar 214/2025 e pelo art. 517 da mesma lei, que insere os §§9º a 11 no art. 13 da Lei Complementar 123/2006.
O prazo tem forma fixa e vale a pena anotar na agenda. A opção é semestral e irretratável para o semestre, é feita em setembro e em março, e produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027, conforme o art. 544, III, da Lei Complementar 214/2025. Escolheu, vale o semestre inteiro.
Para o primeiro semestre de 2027, a janela vai de 1º de setembro a 30 de outubro de 2026, pela Resolução CGSN 194/2026 (DOU de 28/09/2026), e o cancelamento, também irretratável, fica de 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026. A opção pelo próprio Simples teve prazo diferente e mais curto, até 15 de outubro.
Recolher por dentro do DAS mantém a simplicidade que você já conhece: uma guia, um vencimento, uma rotina. O preço disso está no crédito do seu cliente. Quando o fornecedor do Simples recolhe por dentro do DAS, o crédito do adquirente é limitado ao montante equivalente ao devido por meio do regime, pelo art. 47, §9º, II, da LC 214/2025, combinado com o art. 23, §§1º-A e 2º, da LC 123/2006, que manda informar na nota o percentual dos Anexos I a V. E o próprio optante não se credita das compras que faz.
Recolher por fora vai na direção oposta: a empresa passa a apurar IBS e CBS pelo regime regular, com a complexidade que isso traz, e o cliente pessoa jurídica deixa de ficar preso ao crédito limitado. Para quem vende muito para empresa, isso pode virar argumento comercial. Para quem vende para consumidor final, costuma ser esforço sem retorno.
Não existe resposta única, e desconfie de quem der uma sem olhar a sua empresa. A decisão passa por quem são seus clientes, por qual é a sua margem, pelo seu volume de notas e pela estrutura que você tem para tocar uma apuração mais detalhada. Depende do caso, e no Diagnóstico WJR a gente diz qual desenho faz sentido para você.
O que dá para adiantar é o método. Levantamos quanto do seu faturamento vem de pessoa jurídica, olhamos os contratos que atravessam a virada, simulamos o efeito no preço e devolvemos isso em linguagem de dono de negócio. O acompanhamento continua no grupo de WhatsApp da sua empresa, com o time especializado.
E o MEI, o que muda?
O MEI continua existindo e continua sendo MEI. A lógica deste artigo vale para ele em escala menor: o cliente pessoa jurídica que compra do MEI também vai olhar crédito, e isso pode aparecer na negociação com empresas maiores. Quem atende consumidor final praticamente não sente.
Se o seu faturamento está perto do teto, a regra de excesso e desenquadramento continua valendo como sempre e está detalhada em MEI estourou o limite: e agora, o que fazer e quanto você paga.
Reforma tributária, Simples Nacional e o calendário da virada
Nada bate de uma vez: a transição começa em 2026 como ano de teste e termina em 2033, e o detalhe ano a ano está em Cronograma da reforma tributária ano a ano, de 2026 a 2033.
Um aviso que poupa confusão neste ano: a alíquota de teste de 2026 não se aplica ao optante pelo Simples Nacional, pelo art. 348, III, "c", da Lei Complementar 214/2025. Quem está no Simples fica fora dessa cobrança de ensaio.
Para o optante pelo Simples, isso é boa notícia e risco ao mesmo tempo. Boa notícia porque há tempo de ajustar preço, contrato e cadastro. Risco porque prazo longo dá sensação de que não é urgente, e aí a decisão chega em cima da hora.
Vale registrar que o split payment, o recolhimento do tributo no momento da liquidação da operação, tem implementação gradual, começa facultativo e ainda não tem data fixada em norma. O assunto está detalhado em Split payment: o que é, como funciona e o que a lei já define.
O resto do Simples segue como sempre. Limites, sublimite e desenquadramento estão em Limite Simples Nacional: até quanto faturar e o que acontece se você passar, e a divisão por atividade entre os cinco anexos está em Anexos do Simples Nacional: em qual deles a sua empresa está.
Como a WJR trata isso com o cliente
Somos um escritório com mais de 30 anos na Mooca, em São Paulo, com escritório presencial com pessoas reais e atendimento online para quem é de outra cidade. Na reforma tributária, o nosso papel é olhar a sua empresa, mapear onde o crédito do cliente aperta o seu preço, apontar as decisões que precisam ser tomadas e acompanhar a virada com você.
Como diz a Mariana, cliente da casa: "eles te inserem em todo o processo, deixando tudo muito bem explicado". É esse o padrão que a gente busca, e é por isso que temos 5 estrelas no Google.
O primeiro passo é o Diagnóstico WJR, gratuito e sem compromisso, presencial ou online, com resposta em algumas horas. Se quiser entender o serviço antes, veja Adequação à reforma tributária para a sua empresa e o índice do cluster em Reforma tributária: o guia da WJR para quem tem empresa. Para o regime em si, temos Contabilidade Simples Nacional para quem quer pagar o justo.
Perguntas frequentes
O Simples Nacional vai acabar em 2027?+
Não. O Simples Nacional continua existindo na reforma tributária. Em 2027 o que acontece é a entrada da CBS em cobrança efetiva e a extinção de PIS e Cofins. O regime simplificado segue de pé.
Vale a pena continuar no Simples depois da reforma?+
Se você vende para consumidor final, o Simples tende a continuar muito competitivo, porque consumidor final não toma crédito. Se vende para empresa, a conta do crédito entra na comparação e vale simular. A comparação entre regimes está em Simples Nacional ou Lucro Presumido: como escolher o regime da sua empresa.
Meu cliente pessoa jurídica vai pedir desconto por causa do crédito?+
Pode acontecer, sim, e é bom estar preparado. O comprador passa a comparar fornecedores também pelo crédito que consegue aproveitar. O caminho é entender o seu número antes da conversa, não durante.
Sou MEI, preciso fazer alguma coisa agora?+
Manter cadastro e notas em ordem já resolve a maior parte. Se você vende para empresas, vale conversar sobre como a mudança pode aparecer na sua negociação ao longo da transição.
Quando e como se faz a opção por recolher IBS e CBS por fora do DAS?+
A opção é semestral e irretratável para o semestre, feita em setembro e em março, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027. Para o primeiro semestre de 2027, o prazo vai até 30 de outubro de 2026. A base está no art. 41, §§3º e 4º, e no art. 544, III, da Lei Complementar 214/2025.
A alíquota de teste de 2026 vale para quem está no Simples?+
Não. O art. 348, III, "c", da Lei Complementar 214/2025 afasta a alíquota-teste de 2026 do optante pelo Simples Nacional. Para você, o ano de teste é de ajuste de cadastro e de nota, não de recolhimento novo.
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Fontes: Planalto, EC 132/2023 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc132.htm, Planalto, LC 214/2025 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp214.htm, Planalto, LC 123/2006 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm, Receita Federal, Orientações da Reforma Tributária para 2026 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas-e-atividades/reforma-tributaria-do-consumo/orientacoes-2026, Receita Federal, Simples Nacional 2027: novos prazos, Resolução CGSN 194/2026 (29/09/2026) https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/simples-nacional-2027-entenda-os-novos-prazos-e-faca-sua-escolha-com-consciencia-e-tranquilidade
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