A DFC, demonstração dos fluxos de caixa, mostra o dinheiro que entrou e saiu da empresa no período, separado em três fluxos: das operações, dos investimentos e dos financiamentos (Lei 6.404, art. 188, I). A microentidade, com receita até R$ 4,8 milhões no exercício anterior, não é obrigada a fazer DFC; a partir da pequena empresa, ela entra no conjunto anual.
Este texto é para o dono que vê lucro na DRE e conta vazia no banco, ou o contrário. A DFC explica essa diferença: mostra de onde veio o dinheiro, para onde foi e quanto sobrou. Mesmo quem não é obrigado ganha em olhar para ela.
Os três fluxos da DFC
A Lei 6.404, art. 188, I, pede que a DFC mostre as alterações no saldo de caixa e equivalentes de caixa durante o exercício, segregadas em, no mínimo, três fluxos:
- Das operações: o dinheiro do dia a dia. Recebimentos de clientes, pagamentos a fornecedores, salários, aluguel e impostos.
- Dos investimentos: compra e venda de máquinas, veículos, imóveis, softwares e participações em outras empresas.
- Dos financiamentos: empréstimos tomados e pagos, aporte dos sócios e lucros distribuídos.
A leitura é simples. Uma empresa saudável costuma gerar caixa nas operações e usar esse dinheiro para investir e pagar dívidas. Se o fluxo das operações fica negativo por muito tempo, alguém está financiando o negócio, e em geral é o banco ou o sócio.
Um exemplo de DFC com números
Uma empresa hipotética começou o ano com R$ 50.000 no caixa e nos bancos:
| Fluxo | Movimento | Valor |
|---|---|---|
| Operações | recebeu de clientes mais do que pagou de despesas | + R$ 210.000 |
| Investimentos | comprou uma máquina | - R$ 150.000 |
| Financiamentos | tomou R$ 100.000 de empréstimo e distribuiu R$ 60.000 de lucros | + R$ 40.000 |
| Variação do caixa no ano | | + R$ 100.000 |
O caixa terminou o ano em R$ 150.000. Os valores são só de exemplo. Repare que a máquina de R$ 150.000 saiu inteira do caixa neste ano, mas na DRE ela aparece aos poucos, pela depreciação. É uma das razões de lucro e caixa não baterem.
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Quem é obrigado a fazer a DFC
A resposta depende do porte e do tipo de sociedade. Desde os exercícios iniciados em 2023, o CFC separa as normas pela receita bruta do exercício anterior:
| Porte | Norma | Faz DFC? |
|---|---|---|
| Microentidade, até R$ 4,8 milhões | NBC TG 1002 | Não |
| Pequena empresa, acima de R$ 4,8 milhões até R$ 78 milhões | NBC TG 1001 | Sim |
| Média empresa, acima de R$ 78 milhões até R$ 300 milhões | NBC TG 1000 | Sim |
| Normas completas | NBC TG 03 (R3) | Sim |
A NBC TG 03 (R3) é a norma do CFC sobre a DFC nas normas completas e corresponde ao CPC 03 (R2) e ao IAS 7. O enquadramento completo de cada porte está em Demonstrações contábeis obrigatórias: o que cada porte de empresa precisa fazer.
Na sociedade anônima, a DFC está na lista do art. 176, IV, da Lei 6.404. Mas o §6º dispensa a companhia fechada com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00.
Lucro e caixa: por que a DFC e a DRE dão números diferentes
A DRE segue o regime de competência: a receita entra quando é ganha e a despesa quando é incorrida, pagas ou não. A DFC olha só o dinheiro. As diferenças mais comuns entre as duas:
- Venda a prazo: entra na DRE no mês da venda e no caixa só quando o cliente paga.
- Estoque: a compra sai do caixa na hora, mas vira custo só quando a mercadoria é vendida.
- Máquinas e veículos: saem do caixa na compra e entram na DRE aos poucos, pela depreciação.
- Empréstimo: o dinheiro recebido entra no caixa, mas não é receita; a parcela paga sai do caixa, e só os juros são despesa.
- Lucros distribuídos: saem do caixa e não passam pela DRE.
A estrutura da DRE e o regime de competência estão em DRE: o que é a demonstração do resultado e o que cada linha diz. O saldo final do caixa aparece também no ativo do balanço, explicado em Balanço patrimonial: o que é, o que cada grupo mostra e quem assina.
DFC anual e fluxo de caixa do dia a dia
A DFC contábil é anual, olha para trás e é feita pelo contador a partir da escrituração. O fluxo de caixa que o dono usa no dia a dia é outra ferramenta: olha para a frente, com o que vai entrar e sair nas próximas semanas.
As duas se completam. A DFC mostra se o padrão do ano foi gerar ou consumir caixa, e o fluxo projetado mostra se vai faltar dinheiro no mês que vem. Acompanhar os números ao longo do ano começa por um fechamento mensal organizado, explicado em Fechamento contábil mensal: o que é, as etapas e o que a empresa faz em cada uma.
Como a WJR cuida da DFC
A WJR atende todos os regimes tributários, do Simples ao Lucro Real, e a DFC anual sai da mesma escrituração que gera o balanço e a DRE. Para quem reporta a uma matriz no exterior, a WJR prepara relatórios gerenciais em inglês nas normas internacionais.
O primeiro passo é o Diagnóstico WJR, gratuito e sem compromisso, presencial ou online. Os outros guias estão em Demonstrativos contábeis: o guia para entender balanço, DRE e companhia.
Perguntas frequentes
Microempresa é obrigada a fazer DFC?+
Não. A microentidade, com receita bruta até R$ 4,8 milhões no exercício anterior, segue a NBC TG 1002, que pede balanço, DRE e demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, sem DFC.
Pequena empresa precisa de DFC?+
Sim. A pequena empresa, acima de R$ 4,8 milhões até R$ 78 milhões de receita no exercício anterior, segue a NBC TG 1001, que inclui a DFC.
Toda S.A. faz DFC?+
Não. A Lei 6.404, art. 176, §6º, dispensa a companhia fechada com patrimônio líquido inferior a R$ 2.000.000,00 na data do balanço.
Quais são os três fluxos da DFC?+
Das operações, dos investimentos e dos financiamentos, pela Lei 6.404, art. 188, I.
A empresa pode dar lucro e ficar sem caixa?+
Sim. Vendas a prazo, estoque, compra de máquinas e pagamento de empréstimos consomem caixa sem reduzir o lucro na mesma medida. Para ter a DFC e as demais demonstrações feitas dentro da norma do seu porte, conheça o serviço de Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa da WJR.
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Fontes: Planalto, Lei 6.404/1976 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm, CFC, normas completas https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/normas-completas/, CFC, ITG 1000 https://cfc.org.br/wp-content/uploads/2023/01/ITG-1000.pdf, CFC, normas para micro e pequenas https://cfc.org.br/noticias/contador-conheca-as-normas-de-contabilidade-voltadas-para-as-micro-e-pequenas-empresas/
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