Custo fixo e variável se diferenciam por uma pergunta: o gasto muda quando a venda muda? Custo fixo é o que chega mesmo num mês sem venda, como aluguel, salários e sistema; custo variável sobe e desce junto com cada venda, como mercadoria, comissão, imposto sobre a venda e taxa de cartão.
Essa separação é a base de três decisões do dono: quanto cobrar, quanto precisa vender para não ter prejuízo e o que cortar quando o mês aperta. Também ajuda a entender por que duas empresas com o mesmo faturamento podem ter resultados e até impostos bem diferentes.
A diferença entre custo fixo e variável, com exemplos
| Tipo | Como se comporta | Exemplos comuns |
|---|---|---|
| Fixo | igual todo mês, vendendo muito ou pouco | aluguel, salários e encargos, pró-labore, contador, sistemas, seguro |
| Variável | proporcional ao que se vende | mercadoria ou matéria-prima, comissão, frete da venda, taxa de cartão, imposto sobre a venda |
| Semifixo | tem uma parte fixa e outra que cresce com o uso | energia, telefone e internet com franquia, manutenção de máquinas |
O semifixo é separado nas duas partes. Na conta de luz de uma pequena indústria, por exemplo, a parte que chega com a fábrica parada é fixa, e o que cresce com a produção é variável.
Custo e despesa são usados como sinônimos no dia a dia. Na contabilidade, custo é o que vai para o produto ou serviço vendido, e despesa é o que mantém a estrutura, como a administração. Para a decisão de preço e de volume, o que importa é se o gasto é fixo ou variável.
Margem de contribuição: o que sobra de cada venda
A margem de contribuição é o preço menos os custos variáveis daquela venda. É o dinheiro que sobra para pagar a estrutura fixa e, depois dela, virar lucro.
Uma empresa hipotética vende um produto a R$ 50. Mercadoria, imposto sobre a venda, taxa e comissão somam R$ 30 por unidade. A margem de contribuição é de R$ 20 por unidade, ou 40% do preço. Cada venda deixa R$ 20 para cobrir aluguel, salários e o resto da estrutura.
Esse número orienta a formação de preço e os descontos. Um desconto de R$ 5 é 10% do preço, mas tira R$ 5 de R$ 20 de margem, ou 25% do que sobrava dessa venda. O cálculo do preço está em Como precificar produto e serviço: custo, markup, margem e imposto.
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Como calcular o ponto de equilíbrio
O ponto de equilíbrio é o volume de vendas em que a margem de contribuição cobre exatamente os custos fixos. Abaixo dele, prejuízo; acima, lucro. A conta tem duas versões:
- em unidades: custos fixos ÷ margem de contribuição por unidade;
- em faturamento: custos fixos ÷ margem de contribuição em %.
Na mesma empresa do exemplo, com custos fixos de R$ 18.000 por mês:
- em unidades: R$ 18.000 ÷ R$ 20 = 900 unidades;
- em faturamento: R$ 18.000 ÷ 40% = R$ 45.000.
Se ela vender 1.200 unidades, fatura R$ 60.000, gera R$ 24.000 de margem de contribuição e fica com R$ 6.000 de resultado depois dos fixos. O ponto de equilíbrio é um dos indicadores do mês, ao lado de ticket médio e inadimplência, em Indicadores financeiros para pequena empresa: os 7 números que o dono deve olhar todo mês.
O que acontece quando um custo sobe
A conta mostra por que aumento pequeno pode pesar muito. Veja dois cenários na mesma empresa:
- O aluguel sobe R$ 2.000. Os fixos vão a R$ 20.000 e o ponto de equilíbrio passa para 1.000 unidades, ou R$ 50.000.
- O custo variável sobe R$ 2 por unidade. A margem cai para R$ 18, ou 36%, e o ponto de equilíbrio também vai a 1.000 unidades, ou R$ 50.000.
Nesse volume de vendas, R$ 2 a mais em cada unidade pesam tanto quanto R$ 2.000 a mais de aluguel. Por isso reajuste de fornecedor e aumento de taxa de cartão merecem o mesmo cuidado que a renegociação do aluguel.
Empresa com custo fixo alto e margem grande ganha muito quando vende acima do ponto e sofre muito quando vende abaixo. Empresa com custo quase todo variável sente menos a oscilação, mas lucra menos por unidade. Nenhuma estrutura é melhor em si: compare com o próprio histórico e com empresas do setor.
A estrutura de custos também pesa no regime tributário
A mesma separação aparece na escolha do regime. Três pontos, cada um explicado na página própria:
- Fator R no Simples: para parte dos serviços, folha de salários de 28% ou mais da receita leva ao Anexo III, e abaixo disso ao Anexo V (LC 123, art. 18, §§5º-J e 5º-M). Detalhes em Fator R: como calcular e descobrir se a sua empresa está no anexo certo.
- Comparação de regimes: margem, folha e compras mudam qual regime pesa menos em cada caso, como mostra Simples Nacional ou Lucro Presumido: como escolher o regime da sua empresa.
- Créditos no Lucro Real: no regime não cumulativo, parte dos custos gera crédito de PIS e Cofins, tema de Créditos de PIS e Cofins: o que dá direito e o que não dá no Lucro Real.
No Simples, o imposto é calculado sobre a receita e se comporta como custo variável. A folha e o pró-labore, que são fixos, entram no Fator R.
Como a WJR ajuda a enxergar os custos
A WJR é um escritório de contabilidade na Mooca, fundado em 1995, que atende todos os regimes tributários, presencial e online. A organização dos processos da empresa é tema da BPO financeiro e consultoria de processos internos para a sua empresa da WJR.
O time especializado fica no grupo de WhatsApp da empresa, no e-mail e no portal do cliente. Quem ainda não é cliente pode começar pelo Diagnóstico WJR, gratuito e sem compromisso, com resposta em algumas horas. Outros guias de gestão estão em Bpo e processos.
Perguntas frequentes
Salário de funcionário é custo fixo?+
Sim, na maior parte dos casos, porque é pago mesmo em mês de venda fraca. Comissão e hora extra ligadas ao volume de vendas ou de produção entram como variáveis.
Imposto sobre a venda é custo fixo ou variável?+
Variável. Ele cresce e diminui junto com o faturamento, por isso entra na margem de contribuição.
Pró-labore entra no custo fixo?+
Sim. Para a conta do ponto de equilíbrio, a retirada do sócio pelo trabalho é um gasto fixo da empresa, como um salário.
Vender acima do ponto de equilíbrio garante caixa?+
Não. O ponto de equilíbrio olha o resultado, não o dinheiro. Vendas a prazo e estoque parado podem deixar o caixa curto mesmo com lucro.
Com que frequência recalcular o ponto de equilíbrio?+
Sempre que mudar preço, custo fixo ou custo variável relevante. Sem mudança, uma revisão por trimestre mantém o número útil. Para organizar a rotina que mantém esses números em dia, conheça a consultoria de processos internos da WJR em BPO financeiro e consultoria de processos internos para a sua empresa.
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Fontes: Planalto, LC 123/2006 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm
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