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DRE gerencial x DRE contábil: a diferença e como montar a sua

A DRE gerencial é um relatório interno, sem norma, que a empresa monta do jeito que ajuda a decidir, em geral por mês, separando custos variáveis e fixos e mostrando a margem de contribuição. A DRE contábil é a demonstração oficial, na ordem da Lei 6.404, art. 187, e pelo regime de competência; as duas devem sair da mesma base de dados, com as diferenças explicadas.

A DRE gerencial é um relatório interno que mostra o resultado da empresa do jeito que ajuda o dono a decidir, em geral mês a mês, separando custos variáveis e fixos. A DRE contábil é a demonstração oficial, com a ordem de linhas da Lei 6.404, art. 187, feita pelo regime de competência e usada pelo banco, pelo fisco e pelos sócios.

As duas não competem. A contábil diz, com regra, quanto a empresa ganhou no ano. A gerencial explica por que ganhou, ou por que não ganhou, a tempo de mudar alguma coisa no mês seguinte.

DRE gerencial x DRE contábil: as diferenças que importam

| | DRE gerencial | DRE contábil |

|---|---|---|

| Para quê | decidir preço, corte, investimento | prestar contas a fisco, banco e sócios |

| Norma | nenhuma, formato livre | Lei 6.404, art. 187, e normas do CFC |

| Regime | normalmente competência, às vezes caixa | competência (art. 187, §1º) |

| Classificação | custos variáveis e fixos, por produto, loja ou cliente | na ordem da lei: deduções, custos, despesas por função |

| Frequência | mensal ou até semanal | anual, e mensal quando há fechamento |

| Quem monta | a empresa, com os números que escolher | o contador, a partir da escrituração |

A estrutura legal da DRE contábil, linha por linha, está em DRE: o que é a demonstração do resultado e o que cada linha diz. Ela vai mudar: nos exercícios iniciados a partir de 01/01/2027, a NBC TG 51 (CPC 51, IFRS 18) substitui a norma atual para quem segue as normas completas, com categorias de receitas e despesas e novos subtotais.

Como montar a DRE gerencial, linha a linha

A lógica mais útil para a pequena empresa é a da margem de contribuição: primeiro o que varia com a venda, depois o que existe mesmo sem vender. Um exemplo hipotético de um mês de uma loja:

| Linha | Valor | % da receita |

|---|---|---|

| Receita bruta de vendas | R$ 120.000 | 100% |

| (-) Impostos sobre a venda (6%, hipotético) | R$ 7.200 | 6% |

| (-) Custo das mercadorias vendidas | R$ 48.000 | 40% |

| (-) Comissões e taxas de cartão | R$ 6.000 | 5% |

| = Margem de contribuição | R$ 58.800 | 49% |

| (-) Folha e pró-labore | R$ 30.000 | 25% |

| (-) Aluguel | R$ 8.000 | 6,7% |

| (-) Demais despesas fixas | R$ 9.800 | 8,2% |

| = Resultado operacional | R$ 11.000 | 9,2% |

| (-) Juros de empréstimo | R$ 1.500 | 1,3% |

| = Resultado antes do IR | R$ 9.500 | 7,9% |

A leitura é direta. Cada R$ 100 vendidos deixam R$ 49 para pagar a estrutura. A estrutura consome R$ 47.800 por mês, então o resultado depende de manter o volume de vendas acima do ponto em que a margem cobre esses custos. A separação entre custos fixos e variáveis, e o ponto de equilíbrio, estão em Custo fixo e variável: a diferença, o ponto de equilíbrio e o que muda no preço e no regime.

Não existe margem certa para todo negócio: compare com o próprio histórico e com empresas do setor.

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DRE gerencial por caixa ou por competência?

Para medir resultado, competência é o mais fiel: a venda entra no mês em que foi feita, e o custo, no mês da venda que ele gerou. É assim que a contabilidade trabalha (Lei 6.404, arts. 177 e 187, §1º), e usar o mesmo critério facilita comparar as duas DREs.

Uma DRE gerencial por caixa acaba virando um Fluxo de caixa: como montar, projetar as semanas e não confundir com lucro com outro nome. É útil para outra pergunta, a de quanto dinheiro sobrou, mas mistura com o resultado coisas que não são despesa, como a parcela do empréstimo e a compra de estoque que ainda não foi vendido.

No Simples Nacional, a opção de calcular o imposto pela receita recebida vale até 31/12/2026 e acaba em 01/01/2027 (LC 214, art. 517; Res. CGSN 190/2026). Quem montava a DRE gerencial por caixa para acompanhar o imposto tem aí mais um motivo para mudar para competência.

EBITDA e outros números da DRE gerencial

Muitas DREs gerenciais trazem o EBITDA, o resultado antes de juros, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização. Ele mede a geração operacional, mas é uma medida não contábil: não faz parte da DRE exigida por lei e cada empresa calcula de um jeito. Se usar, escreva ao lado como foi calculado.

O mesmo vale para margem bruta, margem de contribuição e margem operacional: são conceitos de gestão, sem faixa oficial de referência. O que funciona é acompanhar a evolução mês a mês, e os principais indicadores estão em Indicadores financeiros para pequena empresa: os 7 números que o dono deve olhar todo mês.

Quando a gerencial e a contábil não batem

As duas saem dos mesmos fatos, então toda diferença precisa ter explicação. As causas mais comuns:

  • retirada de sócio lançada como despesa na gerencial;
  • parcela inteira do empréstimo tratada como despesa, e não só os juros;
  • compra de máquina ou veículo lançada de uma vez, sem depreciação;
  • estoque comprado tratado como custo antes da venda;
  • despesas pessoais pagas pela empresa e lançadas como operacionais.

Se o resultado gerencial do ano ficar muito longe do contábil, o problema costuma estar numa dessas linhas. A leitura da DRE oficial, com os sinais de alerta, está em Como ler uma DRE: o passo a passo para o dono da empresa.

Como a WJR entra nesse assunto

A WJR atende todos os regimes tributários, e a DRE contábil sai da escrituração feita pelo contador. Montar a DRE gerencial mês a mês é uma rotina financeira da empresa: se a WJR pode assumir essa parte no seu caso, depende do caso, no Diagnóstico WJR a gente diz. O diagnóstico é gratuito, sem compromisso, e a conversa pode ser presencial ou online.

Outros guias do tema estão em Bpo e processos.

Perguntas frequentes

A DRE gerencial é obrigatória?+

Não. É um relatório interno, sem norma que defina formato ou periodicidade. A obrigatória é a DRE contábil.

A DRE gerencial substitui a contábil?+

Não. A contábil segue a Lei 6.404, art. 187, e o regime de competência, e é a que o banco e o fisco consideram.

Posso usar a DRE gerencial para pedir crédito?+

Pode apresentar, mas o banco costuma pedir as demonstrações contábeis. A gerencial ajuda a explicar os números, não a substituí-los.

O EBITDA aparece na DRE contábil?+

Não como linha exigida. É uma medida não contábil, sem um cálculo único para a pequena empresa, então vale anotar ao lado como ela foi calculada.

Com que frequência atualizar a DRE gerencial?+

Nenhuma norma fixa. O mais comum é todo mês, logo depois de conferir o banco, para comparar com o mês anterior e com o mesmo mês do ano passado. Para conversar sobre os relatórios e a rotina financeira da sua empresa, veja a consultoria de processos internos da WJR em BPO financeiro e consultoria de processos internos para a sua empresa.

Leia também

Fontes: Planalto, Lei 6.404/1976 (arts. 177 e 187) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm, CFC, IFRS 18 e CPC 51 https://cfc.org.br/noticias/54-o-circuito-tecnico-apresenta-as-principais-alteracoes-na-ifrs-18-cpc-51/, Planalto, LC 214/2025 (art. 517) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp214.htm, Receita Federal, Resolução CGSN 190/2026 https://normasinternet2.receita.fazenda.gov.br/#/consulta/externa/152832

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