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Como contabilizar receita em moeda estrangeira: da invoice ao dinheiro na conta

A receita em moeda estrangeira é lançada em reais pela taxa de câmbio à vista da data da transação (CPC 02 R2, item 21). Até o recebimento, o valor a receber em dólar é reconvertido pela taxa de fechamento a cada fim de período (item 23) e a diferença vai ao resultado como variação cambial (item 28), sem alterar a receita já reconhecida.

Como contabilizar receita em moeda estrangeira? A empresa lança o valor em reais pela taxa de câmbio à vista da data da transação, como manda o item 21 do CPC 02 (R2). Depois, enquanto o cliente não paga, o valor a receber em dólar é reconvertido pela taxa de fechamento a cada fim de período, e a diferença vai para o resultado como variação cambial, sem mexer na receita já registrada.

Este texto é para quem fatura de cliente estrangeiro e quer entender o que o contador lança e por quê. A parte tributária da exportação está em Nota fiscal de exportação de serviços: como preencher a NFS-e para cliente do exterior; aqui o assunto é o registro contábil.

Como contabilizar receita em moeda estrangeira no momento da venda?

Dois passos decidem o lançamento: quando a receita nasce e qual taxa converte. A receita nasce quando a obrigação de performance é satisfeita, isto é, quando o serviço é transferido ao cliente (CPC 47, item 31). Para o serviço prestado ao longo do mês, ela vai sendo reconhecida conforme a prestação avança.

A taxa é a de câmbio à vista da data da transação (CPC 02, item 21). Por praticidade, a norma admite uma taxa média semanal ou mensal quando o câmbio é estável, mas não quando ele flutua de forma significativa (item 22). O lançamento é simples: clientes a débito e receita a crédito.

Um exemplo com números hipotéticos

Uma consultoria presta um serviço de US$ 5.000 e emite a invoice no dia 10. Com o dólar a R$ 5,10 nesse dia, a receita é de R$ 25.500,00 e o valor a receber entra pelo mesmo montante.

Em 30 de setembro, fim do período, o cliente ainda não pagou. O dólar de fechamento está a R$ 5,20, e o valor a receber vira R$ 26.000,00. Os R$ 500,00 de diferença são ganho de variação cambial no resultado de setembro.

O pagamento chega em 5 de outubro, com o dólar a R$ 5,15, e o valor liquidado é de R$ 25.750,00. A diferença de R$ 250,00 contra o saldo de setembro é perda de variação cambial, lançada em outubro. A receita de R$ 25.500,00 não muda em nenhum momento: o que se move é o resultado financeiro, tema de Variação cambial na contabilidade da PJ: ganho, perda e quando o imposto incide.

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Por que o valor a receber é reajustado no fim do período?

Porque ele é um item monetário, definido no CPC 02 como ativo ou passivo a ser recebido ou pago em número fixo de unidades de moeda; o saldo em caixa na moeda estrangeira também entra nessa definição (item 8). No fim de cada período de reporte, os itens monetários em moeda estrangeira são convertidos pela taxa de fechamento (item 23, a), e a variação é reconhecida no resultado do período em que surge (item 28).

Quando o recebimento cai em período posterior, a variação de cada período é medida pela mudança de taxa ocorrida nele (item 29), como no exemplo: ganho em setembro, perda em outubro.

Qual cotação usar e onde guardar a prova?

A norma define a taxa à vista como a usada normalmente para liquidação imediata; ela não impõe uma fonte única de cotação. O que sustenta o lançamento é o critério: escolher a fonte, documentá-la e repetir o método todo mês, sem trocar quando a cotação convém.

Guarde junto da invoice a cotação usada e o comprovante do câmbio. O valor que cai na conta depende da cotação e das tarifas da instituição (o VET), assunto de IOF sobre receita de exportação de serviços: quando é zero e quando não é. Em geral, a diferença por tarifa é custo do recebimento, e não redução da receita; a invoice só muda de valor se o contrato mudar.

E a moeda funcional da empresa?

A moeda funcional é a do ambiente econômico principal em que a entidade opera (item 8). Para defini-la, o CPC 02 manda olhar fatores como a moeda que influencia os preços de venda e a moeda dos custos de mão de obra e de insumos (item 9). Para o prestador que paga equipe, aluguel e impostos em reais, o caso comum é a moeda funcional ser o real, e é nele que se escritura e se apura o imposto.

O que o imposto tem a ver com isso?

A receita lançada pela contabilidade é o ponto de partida da apuração. No Simples Nacional, a receita bruta entra no mês em que há faturamento, entrega ou prestação do serviço (Resolução CGSN 140/2018, art. 2º, §8º), e a exportação é segregada, como explica Empresa exportadora de serviços e o imposto que paga: Simples, Presumido e Real. O tratamento tributário do ganho ou da perda cambial é outro assunto e está na página sobre a variação cambial.

Qual é a rotina mensal de quem recebe em moeda estrangeira?

Cinco itens bastam para o mês fechar:

  1. emitir a invoice e a nota, com o mesmo valor e a mesma moeda do contrato;
  2. registrar a receita pela cotação da data e guardar a fonte da cotação;
  3. conciliar o câmbio recebido com a invoice, anotando tarifa e diferença de cotação;
  4. reavaliar o saldo a receber e o saldo em moeda estrangeira pela cotação de fechamento;
  5. lançar a variação cambial do mês, ativa ou passiva, no resultado financeiro.

A invoice e o câmbio têm páginas próprias: Invoice para cliente estrangeiro: o que colocar em cada campo e como combinar com a nota e Contrato de câmbio na exportação de serviços: o que o Banco Central exige hoje.

Como a WJR entra nessa rotina?

A WJR tem emissor de notas fiscais próprio, e o time especializado acompanha o cliente no grupo de WhatsApp da empresa.

Se o lançamento da invoice e da variação cambial faz parte do que a sua empresa precisa, depende do caso, no Diagnóstico WJR a gente diz. O primeiro passo é gratuito e sem compromisso, presencial ou online, com resposta em algumas horas. Os demais temas da seção estão em Exterior, e os relatórios gerenciais ficam em Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa.

Perguntas frequentes

Qual cotação usar para lançar a receita em dólar?+

A taxa de câmbio à vista da data da transação (CPC 02, item 21). Por praticidade, admite-se uma taxa média semanal ou mensal, desde que o câmbio não flutue de forma significativa.

A receita muda se o dólar variar depois do lançamento?+

Não. A receita fica pelo valor da data da transação. A diferença entre essa taxa e a do fechamento ou a do recebimento é variação cambial, reconhecida no resultado (item 28).

O saldo em dólar na conta também é reavaliado?+

Sim. Unidades de moeda mantidas em caixa são itens monetários, convertidos pela taxa de fechamento no fim de cada período (CPC 02, itens 8 e 23).

A receita é lançada quando o serviço é prestado ou quando o dinheiro entra?+

Na contabilidade, quando a obrigação de performance é satisfeita, isto é, quando o serviço é transferido ao cliente (CPC 47, item 31). O recebimento é outra etapa, que gera a baixa do valor a receber.

Para a contabilidade existe uma fonte oficial única de cotação?+

O CPC 02 define a taxa à vista como a usada normalmente para liquidação imediata, sem fixar uma fonte. O que a empresa precisa é adotar um critério, documentá-lo e aplicá-lo de forma consistente.

Leia também

Fontes: CPC, Pronunciamento CPC 02 (R2), itens 8, 9, 21 a 23 e 28 a 29 https://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=9, CPC, Pronunciamento CPC 47, itens 31 e 46 https://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=105, Imprensa Nacional, Resolução CGSN 140/2018 (art. 2º, II e §8º) https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-140-de-22-de-maio-de-2018-15742358

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