O que é prazo médio de recebimento? É o número médio de dias que a empresa leva para receber o que vendeu a prazo, contado da venda até o dinheiro entrar. Quanto maior, mais tempo a empresa financia o cliente com o próprio caixa.
Não existe um prazo médio "certo" por lei: é um indicador de gestão, e quem o interpreta é o dono junto com o contador. Esta página mostra a conta, um exemplo e o que fazer com o resultado. Outras respostas curtas estão em Perguntas.
O que é prazo médio de recebimento na prática?
Imagine que você vende a prazo em boleto, cartão parcelado ou duplicata. O dinheiro não entra no dia da venda, entra semanas depois. O prazo médio de recebimento, abreviado como PMR, resume essa espera em um único número de dias.
Ele não é uma obrigação legal nem uma regra fiscal. É uma medida de gestão que os contadores e analistas de crédito usam porque ela explica por que uma empresa pode estar vendendo bem e, ainda assim, sem dinheiro para pagar o aluguel.
O valor que alimenta a conta está no balanço patrimonial. Os direitos realizáveis no exercício seguinte, entre eles o que clientes ainda devem, ficam no ativo circulante (Lei 6.404/1976, art. 179, I). Nos modelos da ITG 1000 do CFC, a conta chama-se "Clientes".
Como calcular o prazo médio de recebimento?
A fórmula mais comum é:
PMR = (saldo de clientes a receber ÷ vendas a prazo no período) × número de dias do período
O período pode ser um mês (30 dias), um trimestre ou o ano (360 ou 365 dias, conforme a convenção da empresa). O importante é usar o mesmo critério todo mês, para comparar com o mês anterior.
Exemplo: uma loja vendeu a prazo R$ 600.000 no ano e fechou dezembro com R$ 100.000 a receber de clientes. A conta é 100.000 ÷ 600.000 × 360, que dá 60 dias. Em média, a loja leva dois meses para receber.
Dois cuidados na hora de calcular:
- use só as vendas a prazo, porque venda à vista não gera espera e distorce o resultado para baixo;
- se as vendas oscilam muito durante o ano, um saldo de fim de período engana. Nesse caso, vale usar a média dos saldos mensais.
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O PMR bom é o menor possível?
Nem sempre. Dar prazo é uma ferramenta de venda, e um prazo curto demais pode custar clientes. O que importa é se o prazo que você dá cabe no seu caixa.
A leitura sensata compara o PMR com o prazo médio de pagamento, que é a mesma conta aplicada às suas compras e despesas com fornecedores. Se você recebe em 60 dias e paga em 30, há um buraco de 30 dias que precisa ser coberto por dinheiro de alguém. Esse buraco é o capital de giro, assunto de O que é capital de giro: o dinheiro que sustenta a empresa entre pagar e receber.
Uma versão mais completa soma o prazo de estoque ao PMR e subtrai o prazo de pagamento, formando o ciclo financeiro. Para empresa de serviço, sem estoque, o PMR sozinho já mostra o essencial.
Por que o PMR sobe sem você perceber?
Quase sempre por três motivos:
- Prazo concedido que cresce: o cliente grande pede 45 dias, o outro pede 60, e a regra vira exceção.
- Atraso de pagamento: parte dos clientes passa do vencimento, o que alonga a média. O tema tem página própria em O que é inadimplência: quando o atraso vira mora e como medir na empresa.
- Mudança no mix de vendas: uma modalidade com repasse mais lento, como o cartão parcelado, ganha peso.
Quem controla bem as datas das duplicatas e dos boletos vê o problema antes. A rotina de acompanhar o que entra e o que sai está em O que é contas a pagar e a receber: o que entra em cada uma e como aparecem na contabilidade.
O que fazer para reduzir o prazo médio de recebimento?
Algumas alavancas que o dono controla, sem prometer resultado:
- negociar prazos menores para clientes novos e entrada na assinatura de contratos;
- oferecer desconto para pagamento à vista ou antecipado, desde que o desconto custe menos do que financiar o cliente;
- emitir a cobrança no dia certo, com a nota fiscal e os dados bancários corretos;
- acompanhar os vencidos toda semana e não só no fim do mês.
Antecipar recebíveis em banco é outra saída, mas tem custo financeiro e deve entrar na conta de preço. A projeção de entradas e saídas que mostra quando o caixa aperta está em Como fazer fluxo de caixa de pequena empresa: o passo a passo com exemplo.
Como a WJR ajuda a acompanhar esse indicador
O PMR sai da contabilidade em dia: sem saldo de clientes correto no balanço, a conta perde o sentido. A WJR tem mais de 30 anos de experiência e atende por um time especializado, num escritório presencial com pessoas reais, com 5 estrelas no Google.
O serviço mais próximo é o de Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa. O que ele entrega no seu caso depende do caso, e no Diagnóstico WJR, gratuito e sem compromisso, a gente diz.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre prazo médio de recebimento e prazo médio de pagamento?+
O primeiro mede quantos dias você leva para receber dos clientes. O segundo mede quantos dias você leva para pagar fornecedores. Comparados, mostram se o caixa financia a operação ou é financiado por ela.
Posso usar 30, 360 ou 365 dias na fórmula?+
Pode, desde que você repita o mesmo critério. Mensal usa 30, anual costuma usar 360 ou 365. O valor muda um pouco, mas a comparação entre períodos só vale com o critério constante.
Venda no cartão de crédito entra no cálculo?+
Entra como venda a prazo quando o dinheiro cai depois da venda. O que conta é o intervalo até o recebimento, não a forma de pagamento.
PMR alto significa que a empresa vai quebrar?+
Não necessariamente. Significa que a empresa financia o cliente por mais tempo, e isso exige caixa ou crédito para cobrir a espera. Empresas de setores com prazos longos têm PMR alto de forma saudável.
O contador calcula o PMR?+
Os dados vêm da contabilidade, e o contador pode montar o indicador a partir do balanço e das vendas. Veja como a rotina funciona em Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa. Quer entender o caixa da sua empresa pelos números? Conheça o serviço de Demonstrativos contábeis que o dono da empresa entende e usa e peça o Diagnóstico WJR.
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Fontes: Planalto, Lei 6.404/1976, art. 179, I (direitos realizáveis no exercício seguinte no ativo circulante) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404compilada.htm, CFC, ITG 1000 (15/12/2022), modelos de balanço e de fluxo de caixa com a conta Clientes https://cfc.org.br/wp-content/uploads/2023/01/ITG-1000.pdf
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