O que é distribuição disfarçada de lucros? É o negócio em que a empresa favorece uma pessoa ligada a ela, como o sócio, o administrador ou parentes, e que a lei presume ser lucro distribuído sem o nome de lucro. Vender barato, comprar caro, emprestar dinheiro e pagar aluguel acima do mercado são os casos clássicos.
A regra está no Decreto-Lei 1.598/1977 e consta como vigente no texto do Planalto. Esta página mostra o que a lei presume e a prova que afasta. Outras respostas rápidas estão em Perguntas.
O que é distribuição disfarçada de lucros na lei?
O art. 60 do Decreto-Lei 1.598/1977 presume distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica:
- vende bem do seu ativo a pessoa ligada por valor notoriamente inferior ao de mercado;
- compra bem de pessoa ligada por valor notoriamente superior ao de mercado;
- perde, em benefício de pessoa ligada, sinal, depósito em garantia ou importância paga para obter opção de aquisição de bem;
- transfere a pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência à subscrição de valores mobiliários;
- empresta dinheiro a pessoa ligada se, na data do empréstimo, possui lucros acumulados ou reservas de lucros;
- paga a pessoa ligada aluguéis, royalties ou assistência técnica em valor que excede notoriamente o de mercado;
- realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento.
Em linguagem simples, é o sócio retirando valor da empresa por um caminho que não é distribuição de lucro, na linha de Lucro distribuído paga imposto? A retenção de 10% acima de R$ 50 mil por mês e o mínimo anual.
Quem é pessoa ligada?
O § 3º do art. 60 considera pessoa ligada o sócio da empresa, mesmo quando outra pessoa jurídica; o administrador ou o titular da empresa; e o cônjuge e os parentes até o terceiro grau, inclusive os afins, do sócio pessoa física e das demais pessoas citadas.
O art. 61 vai mais longe com o sócio controlador: a presunção vale ainda que o negócio seja feito por intermédio de outra pessoa, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse.
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Como se afasta a presunção?
O § 2º do art. 60 diz que a prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção.
Na prática, é a prova de que o negócio é de mercado. O mesmo artigo define valor de mercado como a importância em dinheiro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado (§ 4º). Quando não há mercado ativo e o valor negociado se baseia em laudo de perito ou empresa especializada, cabe à autoridade tributária provar que o negócio serviu à distribuição disfarçada (§ 7º).
Daí a recomendação de sempre: contrato escrito, laudo de avaliação quando o bem é relevante, pesquisa de preços e pagamento pelos meios bancários.
O que acontece se o fisco apontar DDL?
O art. 62 trata dos efeitos para determinar o lucro real. Entre eles:
- nas vendas abaixo do mercado e na transferência do direito de preferência, a diferença entre o valor de mercado e o de alienação é adicionada ao lucro líquido do exercício;
- o excesso pago acima do valor de mercado em aluguel, royalties ou assistência técnica não é dedutível;
- as importâncias pagas a pessoa ligada que caracterizarem condição de favorecimento não são dedutíveis.
O § 1º do art. 62 ainda prevê que o lucro distribuído disfarçadamente seja tributado como rendimento do administrador, sócio ou titular que contratou o negócio e auferiu o benefício. Como o texto é escrito para o lucro real, o alcance em cada regime deve ser confirmado pelo contador. O imposto do sócio e o da empresa são tratados em Imposto do sócio x imposto da empresa: quem paga o quê e quando.
A DDL foi revogada?
Não. É comum encontrar quem diga que ela foi extinta, mas, no texto do Decreto-Lei 1.598/1977 no Planalto, aberto em 12/10/2026, os arts. 60 a 62 constam em vigor, sem marca de revogação. Também não encontrei os arts. 60 a 62 entre os dispositivos revogados da Lei 11.941/2009 (art. 79) nem da Lei 12.973/2014 (art. 117), que são as leis em que a revogação costuma ser atribuída.
Exemplos do dia a dia
Dois casos mostram como a regra aparece. Primeiro, uma empresa que aluga o imóvel do sócio por valor bem acima do praticado na região: o excesso do aluguel é o ponto de atenção. Segundo, a empresa que paga despesas particulares do sócio, tratadas em A empresa pode pagar despesa pessoal do sócio? O que a lei diz e como registrar. E o empréstimo da empresa ao sócio está em O que é mútuo entre sócios e empresa: empréstimo, juros, IOF e o cuidado fiscal.
Como a WJR trata esse tema
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Perguntas frequentes
Sócio pode comprar um bem da empresa?+
Pode, desde que o negócio seja feito a valor de mercado e documentado. Vender por valor notoriamente inferior ao de mercado a pessoa ligada é um dos casos que a lei presume como DDL (art. 60, I).
Empresa pode alugar o imóvel de um sócio?+
Pode. O ponto de atenção é o valor: aluguel que excede notoriamente o de mercado entra na presunção do art. 60, VI.
Quem precisa provar que o negócio é de mercado?+
Em regra, a empresa, para afastar a presunção (art. 60, § 2º). Quando o valor se baseou em laudo de perito, a prova de que houve distribuição disfarçada cabe ao fisco (§ 7º).
Parente do sócio também é pessoa ligada?+
Sim. O cônjuge e os parentes até o terceiro grau, inclusive afins, do sócio pessoa física, são pessoas ligadas (art. 60, § 3º, c).
DDL é a mesma coisa que distribuição de lucros?+
Não. A distribuição de lucros é a retirada declarada, tratada em Lucro distribuído paga imposto? A retenção de 10% acima de R$ 50 mil por mês e o mínimo anual. A DDL é a retirada escondida em outro negócio. Quer revisar os negócios entre a empresa e os sócios? Conheça Planejamento tributário para pagar o imposto certo e peça o Diagnóstico WJR.
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Fontes: Planalto, Decreto-Lei 1.598/1977, arts. 60 a 62 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1598.htm, Planalto, Lei 11.941/2009, art. 79 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l11941.htm, Planalto, Lei 12.973/2014, art. 117 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12973.htm
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