A contabilidade para streamers começa separando o que entra: inscrição paga, doação e pix do público, patrocínio de marca e repasse de plataforma. Tudo isso é renda do seu trabalho na frente da câmera, e é a soma dessas fontes que decide se ainda faz sentido ficar no CPF ou se chegou a hora do CNPJ.
Quem faz live em mais de uma plataforma costuma ter quatro ou cinco origens de dinheiro e nenhum controle sobre elas. A seguir estão o CNAE, o anexo do Simples Nacional, o tratamento de cada tipo de receita e a comparação entre carnê-leão e empresa, com os números oficiais de 2026.
O CNAE e o anexo do Simples de quem faz live
O CNAE que descreve a produção de conteúdo em vídeo para a internet é o 5911-1/99, atividades de produção cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão não especificadas anteriormente. A nota explicativa do Concla inclui a produção de filmes para difusão por televisão e internet.
Esse código não consta do Anexo XI da Resolução CGSN 140/2018, que é a lista fechada de ocupações do MEI. Por isso o streamer que usa o 5911-1/99 não pode ser MEI e abre a empresa como microempresa.
Na mesma classe estão o 5911-1/01, estúdios cinematográficos, e o 5911-1/02, produção de filmes para publicidade. Se o patrocínio começa a incluir peça publicitária gravada para a marca, vale revisar as atividades do contrato social antes de emitir a primeira nota desse tipo.
No Simples Nacional, a produção e a transmissão de conteúdo em vídeo são Anexo III sem Fator R: a LC 123/2006, no art. 18, lista as produções audiovisuais e a sua exibição entre as atividades do Anexo III, sem a regra de folha que leva outras atividades ao Anexo V. Para essa receita, o pró-labore não muda o anexo.
Se o streamer também faturar publicidade para marca como agência, no 7311-4/00, essa receita é Anexo V e sobe para o III com Fator R de 28% ou mais. A conta está em Fator R: como calcular e descobrir se a sua empresa está no anexo certo. A mesma empresa pode ter as duas receitas, cada uma com a sua regra, e o CNAE principal e a descrição da nota importam.
O que separa o streamer do youtuber na contabilidade
O youtuber vive principalmente de vídeo gravado, e o dinheiro chega em repasse mensal da plataforma. O streamer recebe ao vivo, durante a transmissão, e isso muda a rotina de três jeitos.
O primeiro é a doação direta. O público paga em tempo real, muitas vezes por pix, sem passar pela plataforma, e esse dinheiro cai na sua conta sem relatório nenhum atrás dele.
O segundo é o patrocínio de marca, negociado por live, por série ou por temporada, com contrato, entrega combinada e pagamento de outra empresa. É receita com pagador identificado e com nota fiscal esperada do outro lado.
O terceiro é a quantidade de pagadores. Plataforma, público, marca e às vezes agência de talentos: cada um paga de um jeito, em uma data, e a conciliação do mês precisa fechar com todos.
Quando parte da receita vem de fora do Brasil, em dólar, a apuração tem regra própria de exportação de serviço e de câmbio, explicada em Contabilidade para youtubers: receita em dólar, CNAE e Simples Nacional.
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Inscrição, doação e pix do público: tudo é rendimento
Inscrição paga é pagamento pelo acesso ao seu conteúdo e ao seu canal. Nesse ponto quase ninguém tem dúvida de que é receita.
A dúvida aparece na doação, por causa do nome. A legislação do imposto de renda considera rendimento bruto todo o produto do trabalho, e a tributação independe da forma como a renda é recebida (Lei 7.713/1988, art. 3º, §§1º e 4º).
Então o botão pode se chamar doação, apoio ou gorjeta: o dinheiro chegou porque você fez a live. Na empresa, ele entra na receita bruta, que a LC 123/2006 define como o produto da venda de bens e serviços (art. 3º, §1º).
O pix direto tem um problema prático. Ele cai misturado com transferência de amigo, reembolso de conta dividida e venda de um item usado, e na conta misturada é você quem precisa demonstrar a origem de cada entrada.
A solução é simples e precisa começar cedo: uma conta só para a atividade, com chave pix própria, e o relatório de cada plataforma guardado mês a mês com o valor bruto, os descontos e o líquido.
Receber produto em troca de divulgação também é rendimento, pelo valor de mercado do bem. O tratamento da permuta está em Contabilidade para criadores de conteúdo: publi, permuta e imposto.
Prêmio de campeonato disputado em live não segue a mesma regra da doação, e a diferença entre concurso desportivo, sorteio e torneio está em Contabilidade para gamers: prêmio, patrocínio e salário no e-sports.
Patrocínio de marca: contrato, nota e comprovante
Marca que patrocina streamer quase sempre é empresa, e empresa pede nota fiscal para lançar a despesa. Sem CNPJ, a negociação costuma travar ou o pagamento sai como pessoa física, com a tributação da pessoa física.
O contrato precisa dizer o que você entrega: menção ao vivo, tempo de exibição da marca, número de lives, cortes para redes. É essa descrição que sustenta a nota e evita discussão sobre o que foi pago.
Se a marca retiver algum tributo no pagamento, guarde o comprovante de retenção junto com a nota. É o comprovante que permite o ajuste na sua apuração, e sem ele o valor retido fica sem uso.
Quando o patrocínio passa por agência de talentos, confira no contrato quem fatura para quem. A nota deve sair para quem efetivamente paga a sua empresa, com o valor bruto combinado.
Carnê-leão ou CNPJ: a contabilidade para streamers que recebem no CPF
Quem recebe de pessoa física ou do exterior na conta pessoal apura o carnê-leão todo mês, pela tabela progressiva. Em 2026 a tabela é isenta até R$ 2.428,80 e sobe por faixas de 7,5%, 15% e 22,5%.
Acima de R$ 4.664,68 a alíquota é de 27,5%, com parcela a deduzir de R$ 908,73. Esse é o teto: não existe faixa maior no carnê-leão.
Existe ainda um redutor criado para 2026, que zera o imposto mensal para rendimento até R$ 5.000,00 e diminui até R$ 7.350,00, pelas Leis 15.191/2025 e 15.270/2025. Ele é aplicado depois, sobre o imposto já apurado pela tabela.
Do outro lado está a empresa. A comparação honesta é entre esses 27,5% do topo da tabela e a alíquota inicial do anexo em que a sua atividade entra, somando o pró-labore e o custo de manter a empresa em ordem.
No pró-labore, a empresa desconta 11% do sócio que trabalha e recolhe até o dia 20 do mês seguinte, respeitado o teto do salário de contribuição de R$ 8.475,55 em 2026.
Empresa não é automaticamente mais barata. Há streamer que sai melhor no CNPJ e há quem, com a renda ainda pequena e irregular, não sai: depende do caso, no Diagnóstico WJR a gente diz. Se a conclusão for abrir, o caminho está em Abrir empresa em São Paulo do jeito certo, do primeiro passo ao CNPJ ativo.
Como a WJR acompanha streamers
A WJR atende desde 1995, presencial e online, com 5 estrelas no Google. Cada cliente tem um time especializado dentro do grupo de WhatsApp da empresa, além de e-mail e portal do cliente.
Na rotina, a WJR emite o DAS e transmite as declarações, incluindo PGDAS-D e DEFIS. Você só paga a guia.
O acompanhamento do RBT12 e do sublimite entra todo mês na mensalidade, o que importa para quem tem mês de campanha forte seguido de mês fraco. O pró-labore é definido com critério, a partir da estratégia alinhada com você.
Todas as mensagens recebidas da Receita são acompanhadas, inclusive o Termo de Exclusão no DTE. A WJR faz todo o processo de opção pelo Simples e atende também Lucro Presumido e Lucro Real.
A abertura de empresa pode ser gratuita, dependendo da análise, e a empresa é entregue com CCM, certificado digital e emissor de notas configurados. O emissor de notas é próprio da WJR.
Nas palavras de uma cliente, Mariana: "eles te inserem em todo o processo, deixando tudo muito bem explicado". Os outros nichos atendidos estão em Segmentos.
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Perguntas frequentes
Streamer pode ser MEI?+
Não com o 5911-1/99. Esse código não consta do Anexo XI da Resolução CGSN 140/2018, a lista de ocupações permitidas ao MEI, e por isso a empresa abre como microempresa.
Qual anexo do Simples Nacional o streamer usa?+
Na produção e exibição de vídeo, no 5911-1/99, vale o Anexo III, sem Fator R, pelo art. 18 da LC 123/2006. Publicidade faturada como agência é Anexo V e passa ao Anexo III quando a folha dos últimos doze meses chega a 28% da receita bruta.
Doação de live paga imposto?+
Sim. A doação do público remunera o seu trabalho, e a lei trata como rendimento todo o produto do trabalho, independentemente da forma como é recebido. Na pessoa física entra no carnê-leão; na empresa, na receita bruta.
Preciso de CNPJ para receber das plataformas de live?+
Não é obrigatório para começar. Quem recebe no CPF apura o carnê-leão, com alíquota que chega a 27,5%, e a empresa entra na conta quando o volume e os contratos de patrocínio justificam.
Patrocínio de marca precisa de nota fiscal?+
Sim, quando você fatura pela empresa. A nota descreve o serviço entregue à marca, e a maioria das empresas patrocinadoras só paga contra nota.
Pix de amigo na mesma conta vira renda?+
Não, o que não veio do seu trabalho não é rendimento da atividade. O problema é provar: na conta misturada, você precisa demonstrar a origem de cada entrada, e por isso a conta separada vale desde o primeiro mês.
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Fontes: Concla/IBGE, classe 59.11-1 https://concla.ibge.gov.br/busca-online-cnae.html?view=classe&tipo=cnae&versao=10&classe=59111, Portal do Simples Nacional, Anexo XI da Resolução CGSN 140/2018 https://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/arquivos/manual/anexo_xi.pdf, gov.br, LC 123/2006 em PDF https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/forum-permanente/legislacao/lei/lcp-123-de-2006.pdf, Planalto, Lei 7.713/1988 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7713.htm, Receita Federal, tabelas do IRPF 2026 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/meu-imposto-de-renda/tabelas/2026
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