Na cobrança por Pix, boleto e cartão, a escolha muda três coisas: quando o dinheiro entra, quanto custa receber e quanto trabalho dá para saber quem pagou. O Pix cai na hora e pode ter vencimento e multa, o boleto depende de o cliente pagar e o cartão cai no prazo combinado com a credenciadora, com a taxa do contrato.
Isto é para a pequena empresa que vende a prazo, cobra mensalidade ou recebe no balcão e quer decidir com critério, e não pelo hábito. Nenhum meio é melhor em tudo. A combinação certa depende de quem é o seu cliente, do valor da venda e do tamanho do seu caixa.
Cobrança por Pix, boleto e cartão: os três meios lado a lado
| Meio | Quando o dinheiro entra | Custo de receber | Conciliação |
|---|---|---|---|
| Pix | na hora do pagamento | tarifa do contrato com o banco | fácil com cobrança identificada |
| Boleto | quando o cliente paga e o banco liquida | tarifa do contrato com o banco | fácil, cada boleto tem número |
| Cartão | no prazo do contrato com a credenciadora | taxa por venda, conforme o contrato | exige bater venda, parcela e taxa |
Os valores de tarifa e os prazos do cartão não são fixados em norma: variam por banco, credenciadora e negociação. Peça a tabela por escrito antes de assinar e compare pelo custo total, e não só pela taxa anunciada.
Pix: o que a regra do Banco Central diz
O Pix foi instituído pela Resolução BCB 1/2020, art. 1º, e o regulamento que vem com ela traz regras úteis para quem cobra:
- Pix Cobrança imediato: o pagamento feito na hora, a partir da cobrança gerada por quem recebe (regulamento, art. 11-A, I).
- Pix Cobrança com vencimento: o pagamento em data futura, com juros, multa, desconto e abatimento já previstos na cobrança (art. 11-A, II). Funciona como um boleto pago por Pix.
- Pix Automático: o débito recorrente, como uma mensalidade, que depende de autorização prévia e específica do cliente pagador, incluído pela Resolução BCB 402/2024.
Duas regras de tarifa valem a pena conhecer. No Pix feito para pagar uma compra, a tarifa só pode ser cobrada de quem recebe, nunca de quem paga (art. 87-D). E o banco é obrigado a divulgar as tarifas, gratuidades e benefícios do envio e do recebimento de Pix para pessoas físicas e jurídicas (art. 87). O valor, porém, é o do seu contrato.
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Boleto e cartão: o que olhar no contrato
Boleto. É útil para cliente que prefere pagar no próprio fluxo, empresa que compra com prazo e cobrança que precisa de documento formal. O ponto fraco é o prazo: ele só vira dinheiro quando o cliente paga e o banco liquida. Confira no contrato a tarifa por boleto emitido, por boleto pago e por baixa.
Cartão. Aumenta a venda no balcão e permite parcelar, mas o dinheiro entra no prazo definido no contrato com a credenciadora, e cada venda paga uma taxa. Antecipar recebíveis tem custo próprio. No parcelado, cada parcela entra num mês, e isso muda o caixa das semanas seguintes.
Em qualquer meio, a cobrança dirigida ao consumidor precisa trazer o nome, o endereço e o CPF ou CNPJ de quem cobra (CDC, art. 42-A).
O que muda no caixa e na conciliação
Vender não é receber. A venda de R$ 1.200 no cartão em 6 vezes vira seis entradas de R$ 200, menos a taxa, ao longo de meses. Se o fluxo de caixa trata a venda como dinheiro do dia, a empresa gasta o que ainda não entrou.
Para a conciliação, o que decide é conseguir ligar cada entrada a uma venda. Pix Cobrança e boleto trazem identificação. Pix para a chave, sem cobrança, e repasses de cartão agrupados dão mais trabalho: é preciso bater valor, data e taxa, um a um. O método está em Conciliação bancária: o que é, como fazer e os erros que ela encontra, e a projeção das entradas, em Fluxo de caixa: como montar, projetar as semanas e não confundir com lucro.
A nota fiscal e o imposto não esperam o dinheiro
A nota fiscal sai na venda ou na prestação do serviço, e não quando o cliente paga. Venda no cartão em 10 vezes tem uma nota, pelo valor total, no dia da venda.
No Simples Nacional, a empresa pode optar até 31/12/2026 por calcular o imposto pelo que recebeu no mês. Essa opção acaba em 01/01/2027: a LC 214/2025, art. 517, reescreve a regra da LC 123 para a receita auferida, e a Resolução CGSN 190/2026 ajusta o regulamento na mesma data. O efeito no planejamento do caixa está explicado em Fluxo de caixa: como montar, projetar as semanas e não confundir com lucro.
Cobrança e atraso: como o meio ajuda
O meio de pagamento também influencia a inadimplência. Algumas práticas simples:
- mensalidade fixa: Pix Automático ou débito autorizado evitam depender da memória do cliente;
- venda a prazo para empresa: boleto ou Pix Cobrança com vencimento, juros e multa já previstos;
- venda no balcão: cartão ou Pix na hora, sem crédito ao cliente;
- lembrete antes do vencimento, e não só depois do atraso.
A régua de cobrança e as regras para cobrar quem atrasou estão em Inadimplência: como reduzir, cobrar e o que a lei permite fazer com o cliente que não paga. A rotina de registrar o que cada cliente deve está em Contas a pagar e a receber: como organizar a rotina da pequena empresa.
Como a WJR olha para a cobrança da empresa
A WJR é um escritório de contabilidade na Mooca, fundado em 1995, com atendimento presencial e online e o time especializado no grupo de WhatsApp de cada cliente. A organização dos processos da empresa é tema da BPO financeiro e consultoria de processos internos para a sua empresa da WJR.
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Perguntas frequentes
O banco pode cobrar tarifa de quem paga uma compra por Pix?+
Não. Pelo regulamento do Pix (Resolução BCB 1/2020, art. 87-D), a tarifa do Pix feito para compra só pode ser cobrada do recebedor.
Dá para cobrar juros e multa em cobrança por Pix?+
Sim. O Pix Cobrança com vencimento permite prever juros, multa, desconto e abatimento na própria cobrança, como num boleto.
Existe prazo legal para o dinheiro do cartão cair na conta?+
Não há norma que fixe esse prazo para a empresa. O prazo e a taxa são os do contrato com a credenciadora.
A nota fiscal da venda parcelada sai a cada parcela?+
Não. A nota sai na venda, pelo valor total, e as parcelas são só a forma de pagamento.
O Pix Automático pode debitar sem autorização do cliente?+
Não. Pelo regulamento do Pix, ele depende de autorização prévia e específica do cliente pagador. Para organizar o processo da venda ao recebimento, conheça a consultoria de processos internos da WJR em BPO financeiro e consultoria de processos internos para a sua empresa.
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Fontes: Banco Central, Resolução BCB 1/2020 (Pix, compilada) https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o%20BCB&numero=1, Planalto, CDC (Lei 8.078/1990) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm, Planalto, LC 214/2025 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp214.htm, Receita Federal, Resolução CGSN 190/2026 https://normasinternet2.receita.fazenda.gov.br/#/consulta/externa/152832
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